Economia

Amprev aprovou aporte de R$ 100 mi no Banco Master apesar de alertas, revela O Globo

Uma reportagem do jornal O Globo, assinada pela jornalista Malu Gaspar, trouxe novos detalhes sobre os desdobramentos do escândalo envolvendo o Banco Master e investimentos realizados pela Amapá Previdência (Amprev). Segundo a apuração, dirigentes do fundo de pensão teriam forçado a aprovação de um aporte de R$ 100 milhões na instituição financeira, mesmo diante de alertas técnicos que apontavam alto risco de solvência.

De acordo com a matéria, o então presidente da Amprev, Jocildo Lemos, e o conselheiro José Milton Gonçalves, ambos afastados após operação da Polícia Federal na sexta-feira (6), conduziram a votação em reunião extraordinária do comitê de investimentos realizada em 19 de julho de 2024. Os dois teriam ignorado parecer da Caixa Econômica Federal que classificava o investimento como arriscado e levantava dúvidas sobre o modelo de negócios do banco.

O relatório técnico da Caixa Asset, braço de investimentos da estatal, apontava problemas de liquidez, dificuldade de compreensão do modelo operacional do Master e risco reputacional, em razão de processos envolvendo executivos do banco na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Mesmo assim, a proposta de aquisição de letras financeiras, que são títulos sem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), foi levada adiante.

Na ocasião, a Amprev já havia investido cerca de R$ 200 milhões no Banco Master. Com o novo aporte, o total aplicado chegaria a R$ 300 milhões apenas naquele momento, elevando a exposição do fundo. Conselheiros como Alexandre Monteiro e Gláucio Bezerra registraram ressalvas em ata, alertando para o risco de concentração e para possíveis danos à imagem do fundo, além de sugerirem diligências prévias junto ao banco, à Caixa e ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Segundo O Globo, Jocildo Lemos minimizou os alertas, classificando as informações técnicas como “histórias do mercado”, e defendeu a votação imediata do aporte. A proposta acabou aprovada por três votos a dois. Com a posterior liquidação do Banco Master pelo Banco Central, a recuperação dos valores investidos, que podem chegar a cerca de R$ 400 milhões, é considerada improvável.

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