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Com forte policiamento, Governo começa a retirar famílias de suas casas na Orla do Aturiá 

A manhã desta segunda-feira (16) começou com tensão para famílias que vivem na Orla do Aturiá, no bairro Araxá. Oficiais de justiça, acompanhados por policiais da Força Tática, chegaram ao local nas primeiras horas do dia para cumprir uma ordem judicial de desocupação das casas situadas na área.

A medida faz parte da execução das obras de urbanização da orla do Aturiá. No entanto, a presença do forte aparato policial e a chegada das equipes do governo provocaram apreensão entre os moradores, muitos deles residentes no local há mais de três décadas.

Segundo relatos da comunidade, a retirada das famílias ocorre mesmo sem que todos tenham recebido indenizações ou alternativas definitivas de moradia. Alguns moradores afirmam que ainda aguardam o pagamento dos valores prometidos, enquanto outros dizem que as quantias oferecidas são consideradas insuficientes para adquirir outro imóvel.

Durante a operação, assistentes sociais do governo do Estado tentavam convencer as famílias a deixar as casas mediante a oferta de aluguel social temporário. Mesmo assim, muitos moradores resistem em sair, alegando que construíram suas vidas na área e não têm garantia de reassentamento definitivo.

Pescador e morador da área, seu Raimundo Manfredo afirmou que a indenização proposta pelo imóvel dele está muito abaixo do necessário para comprar outra casa. Segundo ele, o valor oferecido foi de R$ 46 mil. Raimundo também criticou a forma como o processo de retirada está sendo conduzido.

“Agora o governo quer nos tirar daqui à força. Dizem que moramos em área de risco e que, por causa disso, não temos direito a nada. Depois de tantos anos morando aqui, esse governador quer simplesmente nos tirar de casa. A gente não sabe para onde vai nem como vai viver”, afirmou.

A moradora Angelina Dias do Espírito Santo também se manifestou e relatou a situação delicada vivida por sua família. Segundo ela, a irmã mora no local há mais de 40 anos e atualmente enfrenta tratamento contra o câncer.

“Minha irmã mora aqui há mais de 40 anos e agora querem derrubar a casa dela. Ela está doente, fazendo tratamento contra o câncer. A gente só quer justiça. Não é justo tirar uma pessoa de casa numa situação dessas”, declarou.

Bastante emocionada, a moradora Françoise Rodrigues relatou a angústia vivida pelas famílias diante da retirada. “Nós temos que arrumar nossas coisas sem nem saber para onde vamos levar. É muito cedo, a gente não sabe para onde ir. Do jeito que eu estou vivendo hoje, eu não sei como vai ser. Não sei nem qual vai ser o meu destino”, desabafou.

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