Política

Diálogo atribuído a Alcolumbre e DaLua expõe articulação política contra Furlan em Macapá, diz Metrópoles

Uma reportagem publicada nesta terça-feira (24) pelo portal Metrópoles revelou o conteúdo de um diálogo atribuído ao senador Davi Alcolumbre e ao então presidente da Câmara Municipal de Macapá, Pedro DaLua, que posteriormente assumiu a Prefeitura da capital.

Segundo a publicação, o conteúdo indica uma possível articulação política para retirar o então prefeito Dr. Furlan do cargo e viabilizar a ascensão de DaLua ao comando do Executivo municipal, com o uso de instrumentos institucionais e influência em órgãos de controle.

Contexto político e eleitoral

O episódio ocorre em um momento de forte tensão política no Amapá. Dr. Furlan é pré-candidato ao Governo do Estado e aparece como líder nas pesquisas de intenção de voto, cenário que coloca pressão sobre o projeto de reeleição do atual governador, Clécio Luís.

Estratégia e influência institucional

De acordo com o diálogo divulgado, Davi Alcolumbre sugere um encontro reservado de DaLua com um integrante de tribunal, possivelmente o Tribunal de Contas do Estado, indicando acesso direto para tratar de “posições políticas e judiciais”.

A conversa também menciona o nome de Clécio Luís como alguém que teria orientado os focos de pressão contra a gestão de Furlan, sugerindo uma atuação política coordenada.

Pressão com CPIs e comissões processantes

Um dos trechos mais fortes revela a intenção de abrir investigações simultâneas em áreas estratégicas da administração municipal, como a MacapáPrev e a CTMac. DaLua afirma:

“Eu quero atacar em duas, eu quero pegar MacapáPrev e CTMac… enquanto o nosso governador estiver lá na expofeira […] o filho da p*** do prefeito Furlan esteja preocupado com duas CPIs lá na Câmara Municipal de Macapá.”

Além das CPIs, o então presidente da Câmara também menciona a preparação de uma Comissão Processante, instrumento que pode resultar na cassação de mandato, ampliando a pressão institucional sobre o então prefeito.

Guerra declarada

O tom do diálogo é marcado por forte carga de confronto político. Em outro momento, DaLua declara:

“Começou a guerra.”

A fala reforça a percepção de uma estratégia deliberada de enfrentamento direto, envolvendo ações legislativas, articulações políticas e possível uso de instâncias de controle.

Aprovação de contas e alinhamento

Ainda segundo a reportagem, DaLua afirma ter atuado para aprovar as contas de Clécio Luís referentes ao período em que ele era prefeito de Macapá, utilizando sua posição como presidente da Câmara Municipal.

O trecho sugere um alinhamento político que, conforme o conteúdo do diálogo, teria reflexos nas movimentações contra Furlan.

Afastamento e desdobramentos

O prefeito Dr. Furlan e o vice, Mario Neto, foram afastados de seus cargos em 4 de março de 2026, por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito de investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre supostas fraudes e desvio de recursos na construção do Hospital Geral de Macapá.

Após o afastamento, Furlan renunciou ao cargo para disputar o governo estadual em 2026, abrindo caminho para que Pedro DaLua assumisse a Prefeitura.

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