Artistas, bandas, prestadores de serviços e profissionais técnicos que atuaram nos Festivais do Abacaxi, em Porto Grande e do Pirarucu, em Cutias, denunciam que estão há quatro meses sem receber os pagamentos pelos trabalhos realizados, apesar de ambos os eventos terem sido promovidos com apoio direto do Governo do Amapá e recursos parlamentares.
As denúncias envolvem músicos locais, bandas de outros estados, equipes de segurança, operadores de som e luz, logística (vans), mídia e empresas contratadas para serviços específicos, como a equipe responsável pela queima de fogos das duas cidades.
A 31ª edição do Festival do Abacaxi, realizada de 3 a 5 de outubro em Porto Grande com apoio da Setur, do deputado federal Acácio Favacho e do Instituto Baluarte da Amazônia, reuniu milhares de pessoas, contou com forte estrutura e trouxe ao palco grandes atrações nacionais, como Pablo do Arrocha, Felipe Amorim, Tirullipa, Marcynho Sensação e Renato & Thiago.
Já o 22º Festival do Pirarucu, em Cutias do Araguari, realizado entre 26 e 28 de setembro, também financiado com apoio do Estado, teve extensa programação musical, concursos culturais e shows de artistas como Henry Freitas, Bruno & Denner, Tatty Taylor, além de bandas locais como Os Brothers e Super Pop.
Mesmo diante da grande movimentação financeira dos festivais, profissionais que trabalharam nos dois eventos afirmam que não receberam nenhum valor até agora.
Quatro meses de espera
Um artista que preferiu não se identificar relata que a situação já ultrapassa o limite do aceitável. “Estamos nessa luta há quatro meses. Tentando receber, e não dão nem resposta se vão pagar. O instituto que realizou os festivais também não dá mais prazo. A banda Os Brothers, o Super Pop, todos os artistas locais, segurança, logística, mídia, estamos todos sem receber.”
Segundo ele, enquanto trabalhadores seguem sem previsão de pagamento, novas programações financiadas pelo Governo já estão sendo anunciadas. “O Governo já está anunciando a festa de fim de ano com vários artistas nacionais, e não dão nem previsão se vão pagar a gente.”
O artista também afirma ter recebido informação de que o recurso de R$ 8 milhões destinado pelo deputado Acácio Favacho aos festivais teria sido usado pelo governo para “outros fins”, afirmação que ele mesmo ressalta não saber se é verdade
Prestadores cobram repasse
O blaster pirotécnico Eliab da Silva Araújo (Boca Fogos), responsável pela queima de fogos tanto de Porto Grande quanto de Cutias, confirma que também está entre os profissionais sem pagamento.
“Não é só do Festival do Abacaxi, em Porto Grande. Também estamos sem receber pelo Festival do Pirarucu, em Cutias. Toda hora dão uma data, mas nunca têm certeza. Saiu uma grana e pagaram só os artistas nacionais.”
Ele afirma que bandas locais, prestadores de serviços e trabalhadores autônomos foram deixados para trás. “Ficamos nós, os locais, sem pagamento até hoje. Tem muita gente pra receber. Segurança, mídia, logística. Até agora nada.”
Segundo Eliab, a justificativa repassada aos produtores é de que o dinheiro chegou a ser depositado na conta do Governo, mas não foi repassado à instituição responsável pelos pagamentos. “Informaram que o governo recebeu o valor, mas pagou outras situações. E até agora não repassou nada pra nós.”
Manifestação e possível ação judicial
Diante da ausência de respostas oficiais, os trabalhadores planejam uma manifestação pública para cobrar esclarecimentos do Governo do Amapá sobre o repasse dos recursos.
“Queremos uma posição do governo. Se vai haver repasse e se tem acordo ou não. Se não tivermos resposta, vamos reunir o máximo de pessoas e entrar na Justiça pra tentar receber esse valor.”, afirma Eliab.
Os artistas e profissionais afirmam que não foram procurados pelo poder público desde que os eventos terminaram.



