Gestão Clécio inicia 2026 sem avanços na construção de uma ponte sobre o Rio Jari
O Governo do Amapá inicia 2026 sem apresentar avanços concretos na obra da ponte sobre o Rio Jari, uma das intervenções de infraestrutura mais antigas e simbólicas do estado. Idealizada para garantir a ligação terrestre entre Laranjal do Jari, no Amapá, e Almeirim, no Pará, a estrutura começou a ser erguida em 2001 e, mais de duas décadas depois, segue longe de ser concluída.
Originalmente sob responsabilidade da Prefeitura de Laranjal do Jari, a obra atravessou sucessivas paralisações ao longo dos anos. O projeto acumulou entraves técnicos, administrativos e jurídicos, além de investigações que, à época, levantaram suspeitas sobre a aplicação dos recursos públicos. Ao todo, cerca de R$ 21 milhões já foram investidos até 2024, sem que a ponte tenha sido entregue à população.
Em meados da década passada, o empreendimento voltou ao centro do debate público após denúncias envolvendo ex-gestores municipais. Em 2016, ex-prefeitos de Laranjal do Jari chegaram a ser acusados de participação em um suposto esquema de desvio de recursos que ultrapassaria R$ 15 milhões, valores que teriam como destino a construção da ponte. O caso envolveu a empresa vencedora da licitação, mas, ao final do processo judicial, todos os oito réus foram absolvidos das acusações.
Com o passar do tempo, a prefeitura alegou não ter condições técnicas e financeiras para dar continuidade ao projeto. Diante desse cenário, em 2019, foi firmado um acordo na Justiça Federal reunindo a Prefeitura de Laranjal do Jari, o Governo do Amapá e a União, com a promessa de retomada e conclusão da obra. Apesar do entendimento formalizado, a execução seguiu sem ritmo e novos prazos acabaram não sendo cumpridos.
Atualmente, a ponte prevista para ter 406 metros de extensão se resume a grandes pilares erguidos no leito do Rio Jari. Três dessas estruturas, inclusive, sofreram danos após serem atingidas por uma embarcação, agravando ainda mais a situação de abandono do canteiro de obras.
Em maio de 2024, a expectativa de avanço foi renovada com a visita da ministra do Planejamento, Simone Tebet, ao Amapá. Ao lado do governador Clécio Luís, ela anunciou um pacote de investimentos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), incluindo a conclusão da ponte dentro da chamada Rota de Integração 01. A previsão era de, ao menos, mais R$ 10 milhões em intervenções. No entanto, até o início de 2026, não há cronograma definido nem sinais concretos de retomada.
Enquanto a obra não sai do papel, a população segue enfrentando os impactos da ausência da ligação terrestre. A travessia entre os dois estados continua sendo feita por balsas, o que gera filas, longos tempos de espera e interrupções frequentes, seja por problemas mecânicos, seja em períodos de cheia ou estiagem. Estudantes, trabalhadores e pacientes que dependem de serviços em outras cidades são os mais afetados.
Diante do cenário, aumentam as cobranças para que o Governo do Amapá utilize de forma mais efetiva sua articulação política em Brasília. O grupo político do governador Clécio Luís conta com nomes de peso no cenário nacional, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues, e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes. Para lideranças locais e moradores do sul do estado, essa força política deveria ser decisiva para destravar obras estruturantes como a ponte sobre o Rio Jari, que há 23 anos permanece como símbolo de promessas não cumpridas.



