Oposição protocola pedido e abertura de CPMI do Banco Master depende de Alcolumbre
A instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o escândalo financeiro envolvendo o Banco Master, protocolada pela oposição no Congresso Nacional, depende diretamente de uma decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A informação foi destacada em reportagem do jornal O Globo, que aponta que, apesar de o requerimento já contar com número suficiente de assinaturas, a CPMI só começa a tramitar após a leitura oficial do pedido em sessão do Congresso, atribuição que cabe a Alcolumbre.
De acordo com O Globo, o requerimento foi apresentado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ) e reúne 281 assinaturas, sendo 239 deputados e 42 senadores, superando o mínimo exigido pelo regimento. Ainda assim, parlamentares da oposição reconhecem que a instalação não é automática e depende da iniciativa do presidente do Senado em dar andamento formal ao processo, convocando sessão conjunta para a criação da comissão. Jordy afirmou ao jornal que a principal preocupação no momento é justamente se Alcolumbre fará a leitura do pedido, o que daria início aos prazos regimentais.
O caso do Banco Master ganhou grande repercussão nacional após a instituição ser liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central, em novembro do ano passado, deixando um rombo estimado em cerca de R$ 40 bilhões a serem cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). As investigações fazem parte da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura suspeitas de fraudes bilionárias em operações envolvendo o banco e outras instituições.
No Amapá, o tema desperta atenção especial devido à relação do Estado com o Banco Master. Conforme dados citados no debate nacional, a Amapá Previdência (Amprev) aplicou cerca de R$ 400 milhões em operações do Grupo Master ao longo de 2024, já na gestão do governador Clécio Luís. O montante corresponde a aproximadamente 4,7% do patrimônio do regime próprio de previdência do Estado.
Esse volume de investimentos colocou o Amapá como o segundo maior investidor do país entre todos os fundos previdenciários que adquiriram Letras Financeiras do Banco Master, ficando atrás apenas do estado do Rio de Janeiro.



