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PF suspeita de vazamento em operação que atingiu Jocildo Lemos na Amprev

Uma reportagem do portal Metrópoles revelou que a Polícia Federal suspeita de vazamento de informações na operação que teve como alvo o ex-presidente da Amapá Previdência, Jocildo Silva Lemos, indicado ao cargo pelo senador Davi Alcolumbre.

A operação foi deflagrada no dia 6 de fevereiro e investiga a aplicação de cerca de R$ 400 milhões em letras financeiras do Banco Master, instituição ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro. Jocildo é apontado como peça central nas decisões que autorizaram os investimentos.

Segundo a reportagem, a principal suspeita de vazamento surgiu após um telefonema feito pelo procurador jurídico da Amapá Previdência à esposa de Jocildo apenas 18 minutos antes da chegada dos agentes da PF à residência do investigado.

Quando os policiais chegaram ao local, por volta das 6h, Jocildo não estava em casa. Familiares informaram que ele havia saído para praticar exercícios físicos, o que impediu a apreensão imediata do celular do ex-gestor.

Ao retornar, Jocildo entregou um aparelho que, segundo os investigadores, havia sido recentemente habilitado e não continha mensagens, contatos ou arquivos, circunstância considerada atípica e que reforçou as suspeitas.

O ex-presidente da Previdência afirmou que o celular que utilizava no dia a dia estava com um conhecido para reparo. A versão, no entanto, não convenceu os investigadores, que veem indícios de que ele pode ter sido alertado previamente sobre a operação.

A PF também apreendeu o celular da esposa de Jocildo e realiza perícia nos aparelhos recolhidos para aprofundar as investigações.

Investimentos sob suspeita

De acordo com a apuração, Jocildo teria exercido papel determinante na destinação dos recursos da Amapá Previdência ao Banco Master. Ele coordenava o comitê de investimentos e participou diretamente das reuniões que aprovaram os aportes milionários em 2024.

Os investigadores apontam que as decisões foram tomadas mesmo diante de alertas técnicos sobre riscos e concentração de recursos em uma única instituição financeira. Além disso, há registro de que a Caixa Econômica Federal recusou adquirir os mesmos ativos por considerá-los de alto risco.

Para a PF, esses elementos indicam possível falta de cautela na gestão dos recursos previdenciários estaduais.

Desdobramentos

Jocildo deixou o cargo poucos dias após a operação, no dia 11 de fevereiro. Além dele, outros investigados também foram alvos de mandados de busca e apreensão, incluindo nomes apontados como articuladores das operações financeiras.

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