Política

Uma semana após afastamento de Dr. Furlan, crise política em Macapá se intensifica

Completou nesta quarta-feira (11) o primeiro período de sete dias desde o afastamento do então prefeito de Macapá, Dr. Furlan, determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino. Desde a decisão, o cenário político na capital amapaense tem sido marcado por manifestações populares, anúncios políticos, denúncias e novas articulações nos bastidores.

Manifestação reuniu apoiadores

No mesmo dia do afastamento, milhares de pessoas participaram de uma manifestação em frente à Prefeitura de Macapá em apoio a Furlan. O ato reuniu vereadores, deputados, secretários municipais, além de lideranças políticas, sindicais, comunitárias e religiosas.

Com faixas e cartazes, os manifestantes entoaram palavras de ordem como “Volta, Furlan” e “Não vai ter golpe”, em protesto contra a decisão que retirou o prefeito do cargo.

Anúncio de pré-candidatura ao Governo

Horas após o afastamento, Furlan anunciou sua pré-candidatura ao Governo do Amapá. Em pronunciamento direcionado à população, ele afirmou que a decisão foi motivada pelo diálogo com a sociedade e pela mobilização popular observada nas ruas.

“Quero reafirmar que sou pré-candidato a governador do estado do Amapá para construir um futuro melhor ao lado do nosso povo”, declarou.

Denúncia de monitoramento

Outro episódio que aumentou a tensão política ocorreu na sexta-feira (6), quando Furlan afirmou ter sido filmado por um policial militar ligado à segurança institucional do Governo do Estado durante um evento familiar.

Segundo o ex-prefeito, ele percebeu que estava sendo gravado por um homem dentro de um carro estacionado nas proximidades e, ao abordá-lo, o policial não teria explicado o motivo da presença no local.

Na oportunidade, o governador Clécio Luís chegou a se posicionar em dois vídeos nas suas redes sociais atacando Furlan e justificando que o militar estaria em serviço, realizando um reconhecimento no local para uma possível visita governamental. Documentos apresentados por Furlan, no entanto, comprovaram que esse trabalho sequer era realizado pelo militar no Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

O caso ganhou repercussão política após o deputado estadual R. Nelson afirmar que protocolou pedido ao governador Clécio Luís solicitando a exoneração do chefe do GSI. Também surgiram registros que indicariam monitoramento da ex-primeira-dama de Macapá, Rayssa Furlan, durante a ExpoFeira de 2025.

Gestão interina sob críticas

Enquanto isso, a administração municipal passou a ser conduzida interinamente pelo presidente da Câmara, Pedro DaLua. Nos bastidores políticos e nas redes sociais, aliados de Furlan afirmam que obras estariam paralisadas e que não houve novas ordens de serviço ou entregas durante a primeira semana de gestão.

Também circulam vídeos nas redes sociais com críticas sobre a postura do gestor interino diante de questionamentos da população e de trabalhadores sobre a paralisação de obras. Outra crítica também é com montagem do seu secretariado. DaLua admitiu que fez escolhas baseadas em arranjos políticos em detrimento do aspecto técnico.

Movimento para cassar vice-prefeito

A crise política ganhou novo capítulo com a apresentação de uma representação na Câmara Municipal de Macapá pedindo a abertura de processo que pode levar à cassação do vice-prefeito afastado, Mário Neto.

O pedido foi protocolado pela vice-presidente do Sindicato dos Profissionais da Educação do Amapá, Cleiziane Miranda da Silva, com base em trechos da decisão do STF. A denúncia deverá ser analisada pelos vereadores na sessão desta quinta-feira (12).

Nos bastidores políticos, a iniciativa é vista por aliados de Furlan como uma tentativa de aprofundar a crise institucional na capital e concluir o que parte da população já chama de “golpe”. Analistas também apontam que o cenário pode favorecer politicamente o governador Clécio Luís e o próprio Pedro DaLua, que permaneceria à frente da prefeitura caso o processo avance.

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