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Secretário de Segurança do Amapá é investigado por suposto uso irregular de veículo apreendido pela Justiça, diz Metrópoles

O secretário de Segurança Pública do Amapá, Cézar Augusto Vieira, está sendo investigado por suposto uso irregular de um veículo apreendido pela Justiça quando ainda exercia a função de delegado de polícia na região dos lagos do estado. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (19) pela jornalista Andreza Matais, do portal Metrópoles.

Segundo a reportagem, a investigação foi autorizada pelo Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP) em razão da prerrogativa de foro do secretário. O caso apura se uma caminhonete Chevrolet S10, apreendida durante uma operação policial e que deveria permanecer à disposição da delegacia, foi utilizada para finalidades diversas daquelas previstas legalmente.

O caso veio à tona após um acidente de trânsito envolvendo o veículo. Durante a ocorrência, policiais constataram que a caminhonete circulava com placa adulterada. O condutor, identificado como Francisco Gomes Vilhena, afirmou em depoimento que utilizava o veículo com autorização direta de Cézar Augusto Vieira.

De acordo com o relato prestado à polícia, Vilhena não é servidor público, mas realizava apoio informal em investigações relacionadas ao furto de gado no interior do estado. Em seu depoimento, ele declarou que mantinha sob sua guarda a placa original da caminhonete, além do documento do veículo e um cartão de abastecimento de uso restrito da instituição policial.

A investigação aponta ainda que a caminhonete permaneceu por cerca de um mês estacionada na residência de Vilhena. O mecânico afirmou que o veículo ficava guardado em uma garagem localizada nos fundos de seu quintal e que recebia valores em espécie para abastecimento.

Diante da gravidade das informações e do possível envolvimento de uma autoridade pública, o caso foi encaminhado à Corregedoria da Polícia Civil e resultou na instauração de procedimento investigativo por determinação do Tribunal de Justiça.

Secretário admite uso do veículo em investigações

Procurado pela coluna do Metrópoles, Cézar Augusto Vieira confirmou que o veículo era utilizado em atividades relacionadas a investigações e operações policiais.

O secretário afirmou que Francisco Vilhena prestava serviços como mecânico e que a utilização do automóvel ocorreu em razão de limitações contratuais para manutenção de veículos apreendidos judicialmente.

Questionado sobre a relação com Vilhena, respondeu apenas que ele era um “prestador de serviços”.

Em nota, Cézar Augusto declarou que a investigação esclarecerá os fatos e atribuiu o caso a uma tentativa de desgaste político contra sua gestão à frente da Segurança Pública.

“A situação toda do veículo S-10 originou-se justamente em narrativa com o objetivo de atingir a segurança pública do estado, uma vez que o adversário político opositor da atual gestão não consegue atacar o trabalho dos operadores da segurança pública. Os dados consolidados falam por si só”, afirmou.

O secretário também comentou as informações sobre a ligação familiar de Vilhena com pessoas investigadas por participação em facções criminosas. Segundo ele, tomou conhecimento da situação recentemente e foi informado de que o mecânico não mantém contato com os filhos há cerca de 12 anos.

Caso pode gerar desdobramentos administrativos e judiciais

A apuração deverá analisar se houve desvio de finalidade na utilização do veículo apreendido, possível uso indevido de patrimônio sob custódia do Estado e eventual responsabilidade administrativa ou criminal dos envolvidos.

Até o momento, o Tribunal de Justiça e a Corregedoria da Polícia Civil não divulgaram detalhes sobre o andamento das investigações.

O caso surge em um momento de forte exposição da área de Segurança Pública do governo Clécio Luís (União Brasil), que tem destacado a redução de indicadores criminais como uma das principais marcas da atual gestão.

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