Pedro DaLua critica operação contra facção criminosa e pede afastamento de delegado que investiga vereador aliado

Presidente da Câmara questiona atuação da Polícia Civil após afastamento de Daniel Theodoro, eleito vice-presidente de sua chapa; nota não esclarece suspeitas de favorecimento à organização criminosa
O presidente da Câmara Municipal de Macapá, Pedro DaLua, reagiu à Operação Cavalo de Troia, deflagrada nesta quinta-feira (15) pela Polícia Civil, com apoio do GAECO, e anunciou que pedirá o afastamento do delegado Estéfano da Silva Santos das investigações.
A reação ocorre após o afastamento judicial do vereador Daniel Theodoro (PSOL), aliado político de DaLua e eleito vice-presidente da Mesa Diretora para o biênio 2027-2028, em eleição realizada há apenas dois dias e marcada por questionamentos sobre possíveis irregularidades.
Em nota pública, DaLua levanta suspeitas sobre a motivação da operação, mas não apresenta provas de interferência política nem esclarece as graves denúncias que envolvem seu aliado.
Investigação aponta favorecimento à facção criminosa
A Operação Cavalo de Troia cumpriu nove mandados de busca e apreensão e resultou em medidas cautelares contra um vereador, um suplente e dois servidores públicos.
Segundo a Polícia Civil, as investigações identificaram um suposto esquema de utilização de cargos públicos para garantir empregos e benefícios a integrantes da facção Família Terror do Amapá (FTA).
O esquema envolveria contratações em empresas terceirizadas e favorecimentos dentro do sistema penitenciário, incluindo benefícios ao homem apontado como líder máximo da organização criminosa.
Apesar da gravidade das suspeitas, a nota de DaLua concentra suas críticas no delegado responsável pelo inquérito e no momento escolhido para a operação.
DaLua quer afastamento de delegado
O presidente da Câmara questiona o fato de o inquérito ter sido instaurado em 10 de setembro, mesma data em que o delegado Estéfano concedeu entrevista à Record TV sobre suspeitas envolvendo o ex-prefeito Antônio Furlan.
DaLua também considera suspeito que a operação tenha ocorrido dois dias após a eleição da Mesa Diretora, atingindo um integrante de sua chapa.
Por meio da Procuradoria da Câmara, ele anunciou que solicitará o afastamento do delegado e apresentará representação à Corregedoria da Polícia Civil.
O argumento, porém, ignora que as medidas de afastamento foram determinadas pela Justiça, e não por decisão isolada do delegado. A investigação também contou com apoio do GAECO, órgão especializado do Ministério Público.
A reação acontece em meio à crise política na Câmara, cuja recente eleição da Mesa Diretora é contestada por vereadores adversários, que apontam possíveis irregularidades e prometem recorrer à Justiça.
A Polícia Civil informou que as investigações permanecem sob sigilo. As medidas contra os investigados são cautelares e não representam condenação.



