Política

Alcolumbre é abandonado pelo União Brasil e PP e vê ameaçada permanência no comando do Congresso, revela Metrópoles

Isolamento político do senador amapaense se amplia após aproximação com Lula; reportagem aponta que Alcolumbre estaria oferecendo cargos e espaços privilegiados para conquistar apoio à recondução em 2027

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enfrenta um novo revés político em Brasília. Depois de perder força nas eleições no Amapá, o senador agora corre o risco de ficar sem o apoio do próprio partido na tentativa de permanecer no comando do Congresso Nacional em 2027. Segundo reportagem publicada nesta segunda-feira (19) pela jornalista Andreza Matais, do Metrópoles, a federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP), decidiu abandonar a articulação pela recondução do parlamentar.

O rompimento está relacionado à aproximação de Alcolumbre com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um momento em que a direção nacional da federação declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo domingo (25).

De acordo com o Metrópoles, Alcolumbre demonstra preocupação com a possibilidade de perder a presidência do Senado e intensificou as articulações para conquistar votos entre os parlamentares eleitos que assumirão seus mandatos no próximo ano.

A reportagem revela que o senador estaria oferecendo gabinetes em localizações privilegiadas e o comando de comissões parlamentares em troca de apoio político. Esses colegiados possuem influência direta sobre a tramitação de projetos e a definição de prioridades legislativas. As informações são atribuídas à apuração da coluna e não representam, até o momento, uma confirmação independente das supostas ofertas.

Sem apoio do próprio partido

A situação se torna ainda mais delicada diante da composição do Senado a partir de 2027. Segundo o levantamento divulgado pelo Metrópoles, a federação União Progressista deverá contar com 12 senadores, sendo seis do União Brasil e seis do PP.

Embora Alcolumbre ainda possa disputar a presidência do Senado sem o respaldo formal de sua legenda, a perda desse apoio representa um obstáculo importante para suas pretensões de continuar no cargo.

A decisão também evidencia o distanciamento entre o senador amapaense e a direção nacional do União Brasil. Enquanto Alcolumbre aposta na aproximação com Lula, os dirigentes da federação se alinharam ao projeto político de Flávio Bolsonaro.

A disputa ocorre em um cenário de reorganização das forças políticas no Congresso, no qual partidos e bancadas buscam ampliar sua influência sobre a próxima legislatura.

Aproximação com Lula amplia desgaste

A reportagem também destaca decisões recentes de Alcolumbre interpretadas como movimentos favoráveis ao governo federal.

Entre elas estão a inclusão da proposta de encerramento da escala de trabalho 6×1 na agenda legislativa e o adiamento da votação da PEC da Segurança Pública, em meio às discussões sobre a redução da maioridade penal, defendida por setores ligados ao bolsonarismo.

Outro ponto mencionado pelo Metrópoles é a postura de Alcolumbre diante dos pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que não tiveram andamento sob sua presidência.

Na avaliação apresentada pela coluna, essas decisões contribuíram para fortalecer sua relação com Lula, mas aumentaram a distância em relação aos grupos políticos que hoje apoiam Flávio Bolsonaro.

Derrota no Amapá e incerteza em Brasília

O enfraquecimento de Alcolumbre em Brasília ocorre após um resultado eleitoral desfavorável ao seu grupo político no Amapá, onde o governador Clécio Luís, seu aliado, foi derrotado na disputa pelo governo estadual.

A perda de espaço político no estado, somada às dificuldades de articulação nacional, coloca o senador diante de um cenário mais complexo para preservar sua influência no Congresso.

A própria imprensa nacional já vinha apontando sinais desse desgaste. Em reportagem publicada no início de outubro, Andreza Matais destacou as dificuldades enfrentadas por Alcolumbre no cenário político amapaense, apesar de sua influência em Brasília.

Agora, o afastamento do União Brasil e do PP acrescenta um novo componente à crise política do parlamentar: a possibilidade de disputar a presidência do Senado sem o apoio da estrutura partidária à qual pertence.

Apesar do cenário adverso, a eleição para a presidência do Senado ainda dependerá de negociações entre os parlamentares que integrarão a Casa em 2027. A perda do apoio da federação, portanto, não significa que Alcolumbre esteja definitivamente fora da disputa, mas representa um enfraquecimento significativo de sua candidatura.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo