Política

Caso Master: mensagens de Vorcaro revelam bastidores de investimento milionário da Amprev

Conversas com dirigente do Banco Central ocorreram no mesmo dia em que a previdência do Amapá aprovou aplicação de R$ 200 milhões; investimentos chegaram a R$ 400 milhões

O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, discutiu uma operação de R$ 400 milhões envolvendo a Amapá Previdência (Amprev) com um dirigente do Banco Central, no mesmo dia em que a autarquia aprovou a primeira aplicação de R$ 200 milhões na instituição financeira. A informação foi revelada nesta quinta-feira (22) pela Folha de S.Paulo.

As mensagens foram trocadas em 12 de julho de 2024, após técnicos da Caixa Asset, gestora de recursos da Caixa Econômica Federal, se posicionarem contra uma operação de R$ 500 milhões em letras financeiras do Banco Master.

Preocupado com a repercussão negativa, Vorcaro procurou Paulo Sérgio Neves de Souza, então chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central. Na conversa, mencionou que uma negociação de R$ 400 milhões envolvendo o Amapá havia sido prejudicada pela divulgação do parecer contrário da Caixa.

Apesar dos alertas, a Amprev prosseguiu com os investimentos. Documentos oficiais da própria autarquia confirmam que o Comitê de Investimentos aprovou R$ 200 milhões em 12 de julho, mais R$ 100 milhões no dia 19 e outros R$ 100 milhões em 30 de julho de 2024.

Uma ata do Conselho Fiscal da Amprev, de novembro de 2025, registra questionamentos sobre a continuidade das aplicações, mesmo após notícias negativas envolvendo o Banco Master e recomendações do Ministério da Previdência Social para avaliação de riscos reputacionais.

Na ocasião, o então presidente da Amprev, Jocildo Silva Lemos, justificou que não havia informações concretas que impedissem os investimentos e defendeu os procedimentos adotados pela instituição.

Polícia Federal investiga operações

Os R$ 400 milhões aplicados pela Amprev são alvo de investigação da Polícia Federal, que deflagrou, em fevereiro de 2026, a Operação Zona Cinzenta para apurar suspeitas de gestão temerária e fraudulenta dos recursos previdenciários.

Jocildo Silva Lemos está entre os investigados e deixou o comando da autarquia após a operação.

O Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. As letras financeiras adquiridas pela Amprev não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O Governo do Amapá afirma que os investimentos seguiram as normas vigentes e anunciou medidas para tentar recuperar os recursos.

À Folha, a defesa de Paulo Sérgio Neves de Souza negou favorecimento a Vorcaro e afirmou que sua atuação ocorreu dentro das atribuições institucionais do Banco Central.

As novas revelações ampliam os questionamentos sobre as circunstâncias em que a previdência dos servidores públicos do Amapá destinou R$ 400 milhões ao Banco Master, mesmo diante de alertas sobre os riscos da instituição financeira.

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