Amapaense encara quase 17 horas de kitesurf no rio Amazonas em desafio pela preservação ambiental

Eliton Franco percorreu mais de 518 quilômetros em uma jornada de resistência, superação e valorização da Amazônia; feito aguarda certificação como recorde nacional.
O rio Amazonas foi o cenário de uma aventura que exigiu preparo físico, coragem e muita determinação. O velejador amapaense Eliton Franco, da Associação dos Velejadores do Amapá (AVAP), passou quase 17 horas sobre uma prancha de kitesurf, enfrentando ventos, correntes e os desafios da navegação para realizar um feito histórico nas águas amazônicas.
A jornada começou às 8h20 da manhã e só terminou à 0h55 da madrugada seguinte. Foram 16 horas e 35 minutos de navegação ininterrupta e mais de 518 quilômetros percorridos, segundo o atleta, que agora aguarda a certificação do RankBrasil para o reconhecimento oficial da marca.
Mais do que buscar um recorde, Eliton quis mostrar a força do esporte amapaense e chamar a atenção para a importância da preservação da Amazônia, transformando o desafio em uma homenagem à floresta e ao rio que é um dos seus maiores símbolos.
A escuridão, o tédio e a companhia da lua
Entre tantos obstáculos enfrentados, um dos momentos mais marcantes aconteceu quando a noite caiu sobre o rio Amazonas. Sem a luz do dia, o cenário mudou completamente, e Eliton precisou lidar não apenas com os riscos da navegação, mas também com o desgaste psicológico.
O velejador relatou que a escuridão trouxe uma sensação de monotonia e tédio. Depois de tantas horas sobre a prancha, cercado pela imensidão do rio, manter a concentração e a disposição se tornou um desafio à parte.
Foi então que a natureza ofereceu um alívio inesperado. O aparecimento da lua iluminou a paisagem e deu ao atleta uma espécie de sobrevida emocional, renovando seu ânimo para continuar a jornada.
O episódio ganhou um significado especial em uma aventura dedicada justamente à valorização da Amazônia. Em meio ao cansaço e à solidão da navegação, a própria natureza acabou se tornando uma aliada.
Uma aventura que exigiu muito mais que coragem
Quem vê a leveza de uma prancha deslizando sobre a água talvez não imagine o esforço necessário para permanecer tantas horas em movimento. No rio Amazonas, as dificuldades se multiplicam: correntes variáveis, rajadas de vento, vegetação flutuante e a escuridão durante a noite.
Eliton explicou que precisou cumprir regras rigorosas para validar a tentativa.
“Sem poder pisar na areia, ou pelo menos tocar na areia, ou me escorar em uma embarcação desde quando eu comecei a velejar às oito e vinte. Foram regras estabelecidas pela certificadora”, explicou.
Até a reposição de água precisou ser realizada enquanto seguia sobre a prancha, sem apoio físico da equipe.
Todo o percurso foi monitorado por equipamentos de localização via satélite, além de registros em vídeo e testemunhas independentes. O atleta destacou a preocupação em cumprir rigorosamente todas as exigências.
“Eu segui à risca todas as regras. Foi filmado, eu tenho testemunha independente. Então eu atendi tudo”, afirmou.
Confiante na homologação, Eliton não esconde o orgulho da marca alcançada.
“Eu fui o cara que mais velejou em águas fluviais do mundo. Do mundo”, declarou, ressaltando que ainda aguarda o reconhecimento oficial.
Amor pela Amazônia e orgulho de ser amapaense
A iniciativa também teve uma mensagem ambiental. Ao escolher o rio Amazonas para realizar o desafio, Eliton buscou dar visibilidade à riqueza natural da região e à necessidade de proteger seus recursos.
O feito mostra ainda o potencial do Amapá para a prática de esportes de aventura e atividades que valorizam a relação entre as pessoas e a natureza.
A jornada também foi resultado de um trabalho coletivo, com uma equipe formada por voluntários que acompanhou toda a navegação.
“Tudos amigos meus, amapaenses, pessoas que se voluntariaram, que trabalharam o dia todo, tornando isso viável”, destacou.
O velejador fez questão de dividir os méritos com os companheiros, incluindo familiares e integrantes da equipe de apoio.
E agora? O sonho é atravessar o Atlântico
Quem pensa que Eliton pretende diminuir o ritmo depois dessa aventura está enganado. Perto de completar 50 anos, o amapaense já planeja um desafio ainda maior: atravessar o Oceano Atlântico em um barco construído por ele próprio, saindo da África até chegar à orla de Macapá.
A expectativa é realizar a travessia em aproximadamente 45 dias. O barco, de seis metros, já está sendo construído artesanalmente, embora o projeto ainda dependa de patrocínio.
“Eu tenho um grande sonho aí, que eu já venho há anos planejando. E eu tô já construindo um barco de seis metros, construindo artesanalmente”, revelou.
O objetivo é celebrar o aniversário de 50 anos com uma conquista inédita para o esporte amapaense.
“Eu vou comemorar os meus 50 anos cruzando o Atlântico, sendo o primeiro amapaense que vai realizar esse feito”, afirmou.
E, se alguém acha que tanta aventura é sinal de imprudência, Eliton tem uma resposta bem-humorada e cheia de disposição.
“Eu não quero morrer, eu quero é viver. Eu me sinto vivo. Eu gosto de sair da minha zona de conforto”, declarou, ao comentar as brincadeiras de amigos sobre os riscos que enfrenta.
O atleta também fez questão de explicar que suas aventuras são acompanhadas de preparação física e cuidados com a saúde.
“Eu treino muito, eu acordo todo dia muito cedo, eu malho todo dia, eu procuro me alimentar bem”, contou.
Para ele, a idade está longe de ser um obstáculo para continuar sonhando.
“Eu sou um adulto com quase 50 anos, mas eu tenho uma criança bem exacerbada dentro de mim”, brincou.
Enquanto aguarda a confirmação oficial do recorde no rio Amazonas, Eliton continua olhando para o horizonte. Afinal, para quem acaba de passar quase 17 horas velejando sem parar, enfrentando a escuridão e encontrando na luz da lua um novo ânimo, o oceano parece ser o próximo capítulo natural de uma história movida pela paixão pelo esporte, pela Amazônia e pela vontade de ir sempre mais longe.



