R. Nelson lança candidatura à presidência da Alap e promete independência mesmo com Furlan no governo
Deputado, que foi um dos principais fiscalizadores da gestão Clécio e apoiou a eleição de Dr. Furlan, afirma que relação política com o governador não impedirá cobranças, convocações ou investigações
O deputado estadual R. Nelson colocou seu nome na disputa pela presidência da Assembleia Legislativa do Amapá (Alap) para a próxima legislatura e afirmou que, caso seja eleito, pretende manter a independência do Parlamento mesmo diante de um governo comandado por um aliado político.
Durante a atual legislatura, R. Nelson ganhou projeção pela postura de oposição ao governo de Clécio Luís, com cobranças e ações de fiscalização. Na eleição deste ano, esteve entre os apoiadores da candidatura de Dr. Furlan ao Governo do Estado.
Agora, com a mudança de comando no Executivo, o parlamentar sustenta que essa proximidade política não deverá alterar o papel fiscalizador da Assembleia.
“Meu compromisso com a fiscalização permanece, independentemente de quem esteja no governo. A população pode esperar a mesma firmeza e responsabilidade. Vamos apoiar as medidas que tragam benefícios ao Amapá e cobrar explicações, correções e resultados sempre que necessário. A confiança em um aliado não elimina o dever de fiscalizar”, afirmou.
R. Nelson considera que a coerência construída durante sua atuação parlamentar é um dos principais elementos que apresenta aos colegas na disputa pela presidência.
“Meu principal ativo é a coerência. Fiz oposição com fiscalização, cobranças e compromisso com o povo. Apoiei Dr. Furlan porque acredito em um novo caminho para o Amapá. Mas a presidência exige também diálogo, equilíbrio e respeito aos colegas”, declarou.
Segundo ele, a intenção é colocar essa experiência a serviço de uma Assembleia “independente, transparente e atuante”.
Articulação pela maioria
A eleição da Mesa Diretora depende dos votos dos próprios deputados estaduais, e R. Nelson afirma que já mantém conversas com parlamentares eleitos e reeleitos. Ele, porém, evita antecipar apoios ou afirmar que já possui maioria.
“Essa construção exige diálogo com os deputados eleitos e reeleitos, respeitando a posição de cada um. Não vou antecipar votos nem anunciar uma maioria antes de ela estar consolidada”, disse.
Entre as propostas apresentadas pelo deputado estão a garantia de espaço para atuação das comissões, respeito aos diferentes mandatos e tramitação das proposições sem bloqueios motivados por divergências políticas.
“Minha proposta é garantir respeito a todos os mandatos, espaço para as comissões trabalharem e tramitação das proposições sem bloqueios por divergências políticas. Quem ganha com isso é a população”, acrescentou.
Disputa já movimenta os bastidores
A eleição para a presidência da Alap já começou a movimentar os bastidores políticos antes mesmo do início da nova legislatura. Até o momento, quatro nomes são apontados como postulantes ao comando da Casa: Jorge Amanajás, Roberto Góes, R. Nelson e Rodolfo Vale.
As articulações ocorrem de forma reservada, com conversas individuais, formação de grupos e tentativa de consolidação de apoios entre os deputados eleitos e reeleitos.
Questionado sobre os adversários, R. Nelson evita personalizar a disputa.
“Prefiro tratar os colegas como concorrentes, porque vamos continuar trabalhando juntos pela população. Cabe a cada candidatura apresentar seu projeto e suas alianças. Da minha parte, defendo uma presidência que represente o conjunto dos deputados e assegure autonomia ao Parlamento. O debate precisa ser sobre como fortalecer a Assembleia”, afirmou.
Relação com Furlan
Um dos principais pontos de atenção de uma eventual presidência de R. Nelson será justamente a relação com o governador eleito Dr. Furlan, de quem foi aliado durante a campanha.
O deputado afirma que pretende separar a relação política das atribuições institucionais dos dois Poderes.
“O governador administra, e a Assembleia legisla, fiscaliza e acompanha a aplicação dos recursos públicos. Como presidente, vou garantir condições para que todos os deputados exerçam essas funções, inclusive a oposição”, declarou.
R. Nelson foi além e afirmou que instrumentos de fiscalização deverão ter andamento mesmo quando atingirem o novo governo.
“Pedidos de informação, convocações e investigações que cumpram os requisitos legais devem ter andamento. Minha relação com Dr. Furlan não será impedimento para cobrar ou discordar”, garantiu.
Eleição será em fevereiro
A escolha da nova Mesa Diretora ocorrerá no início da próxima legislatura, em fevereiro de 2027. A Constituição estadual prevê as sessões preparatórias para a posse dos parlamentares e a eleição da Mesa a partir de 1º de fevereiro.
O dia e o horário exatos da votação ainda dependerão da convocação oficial da Assembleia Legislativa.
Até lá, a disputa deve permanecer concentrada nas articulações de bastidores. Para R. Nelson, o desafio será transformar sua candidatura e o capital político acumulado nos últimos anos em maioria entre os deputados que participarão da eleição da nova Mesa Diretora.



