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Silvia Waiãpi denuncia desvio de emenda para CTI do Hospital de Oiapoque

A ex-deputada federal pelo Amapá, Silvia Waiãpi, denunciou que destinou, em 2023, R$ 3 milhões em emendas parlamentares para a implantação e o aparelhamento do Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Estadual de Oiapoque, mas que os recursos não teriam sido aplicados na finalidade prevista. Segundo ela, o montante acabou sendo direcionado para outras frentes, sem que o hospital recebesse os equipamentos necessários.

De acordo com a ex-parlamentar, a destinação da emenda ocorreu após a morte da adolescente indígena Maria Clara Karipuna, de 15 anos, vítima de violência sexual em uma área de manguezal no município. A jovem chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital de Oiapoque, mas, sem estrutura de CTI, precisou ser transferida para Caiena, na Guiana Francesa, onde acabou não resistindo. Para Silvia, a ausência de uma unidade de terapia intensiva foi determinante no desfecho do caso.

Além do investimento, o único pedido feito pela ex-deputada, conforme relata, era que o CTI recebesse o nome de Maria Clara Karipuna, como forma de homenagem e memória. Ela afirma ter articulado a iniciativa com vereadores de Oiapoque, que apresentaram indicação ao Governo do Estado, e com o deputado estadual R. Nelson Vieira, autor de um Projeto de Lei para denominar a unidade.

O projeto, no entanto, foi vetado integralmente pelo governador Clécio Luís. O veto foi publicado no Diário Oficial do Estado, sob a justificativa de razões de interesse público e da necessidade de consulta mais aprofundada à comunidade local sobre a denominação da unidade hospitalar . Segundo Silvia Waiãpi, no mesmo período, os recursos da emenda foram remanejados para a atenção básica, sem que o CTI fosse efetivamente equipado.

Na época do veto, a ex-deputada afirma ter gravado um vídeo denunciando a situação, que teria sido rebatido publicamente pelo senador Randolfe Rodrigues e pelo deputado federal Dorinaldo Malafaia. Ambos teriam anunciado, à época, a intenção de destinar R$ 3 milhões cada para equipar o CTI do Hospital de Oiapoque. Segundo Silvia, as promessas não se concretizaram e não há registro de que os recursos tenham chegado à unidade.

“É lamentável que a morte de uma jovem indígena tenha sido usada para proselitismo político. Tenho informações de que o CTI do hospital segue sem equipamentos”, afirmou a ex-deputada. Ela sustenta que as emendas prometidas para o período 2024–2025 não saíram do papel e que o Hospital Estadual de Oiapoque continua sem a estrutura necessária para atendimento de alta complexidade.

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