Denúncia aponta possíveis irregularidades na Clínica Escola Coração Azul da Zona Norte, em Macapá

Profissionais da Prefeitura de Macapá estão denunciando possíveis irregularidades na Clínica Escola Coração Azul da Zona Norte, onde pessoas sem vínculo com o município estariam atuando dentro da unidade após a nomeação da nova diretora Ingrid Dias, indicada pelo prefeito interino Pedro DaLua. Segundo os relatos, esses indivíduos estariam entrando em salas, acessando informações e interferindo nos atendimentos, o que tem gerado preocupação com quebra de sigilo profissional e risco à integridade dos alunos.
De acordo com relatos, a diretora estaria levando integrantes de sua clínica particular para atuar dentro da Clínica Escola, um equipamento público voltado ao atendimento de crianças, especialmente com transtornos do espectro autista. Essas pessoas, segundo os profissionais, estariam acessando salas, questionando procedimentos e interagindo com os atendimentos sem qualquer formalização contratual com o poder público.
A situação ganhou ainda mais repercussão após a circulação de imagens nas redes sociais que mostram essas profissionais utilizando uniformes da clínica privada dentro da unidade pública. Pelo menos três pessoas estariam frequentando o espaço nessas condições, o que levanta questionamentos sobre a legalidade e a ética da prática.
Uma das vozes mais contundentes é da psicóloga Ana Clébia Ramos Duarte, servidora da Secretaria Municipal de Educação (Semed), que formalizou uma denúncia por meio de carta aberta direcionada aos pais dos alunos. No documento, ela relata preocupação com a quebra de protocolos e com possíveis riscos à integridade dos atendimentos.
Segundo a psicóloga, profissionais sem vínculo estariam “abrindo prontuários e entrando nas salas dos técnicos, questionando a forma de trabalho, com as crianças dentro das salas, quebrando o sigilo profissional e a integridade do aluno”.
Em outro trecho, Ana Clébia também denuncia uma possível reestruturação arbitrária da equipe. “A nova diretora decidiu que irá trocar toda a equipe do turno da tarde, sem motivo aparente”, afirma na carta, destacando ainda que sua própria saída já teria sido solicitada após questionamentos internos.
Nos bastidores, o clima entre os profissionais é de insegurança e indignação. Servidores relatam que não se sentem confortáveis com a presença de pessoas externas acompanhando atendimentos, especialmente por se tratar de um ambiente que exige sigilo, ética e vínculo institucional claro.
Outro ponto que chama atenção é a nomeação da diretora da Clínica Escola da Zona Sul, que, segundo apurado, é irmã da atual gestora da unidade da Zona Norte — ambas indicadas pela gestão de Pedro DaLua.



