Uma reportagem da revista Metrópoles revelou que a Amapá Previdência (Amprev) acumulou um prejuízo estimado em R$ 400 milhões após investir em títulos sem garantia do Banco Master, instituição que teve liquidação decretada pelo Banco Central. Segundo a publicação, um aliado político do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teve participação na decisão que resultou no rombo.
De acordo com a matéria assinada pela jornalista Andreza Matais, o servidor José Milton Gonçalves, que atuava como conselheiro da Amprev até o fim de 2025, foi um dos responsáveis por sugerir o investimento. Ele teria sido indicado ao cargo pelo governador Clécio Luís (Solidariedade) e mantinha proximidade política com Davi Alcolumbre e com Josiel Alcolumbre, irmão do senador.
A Amprev é responsável pela previdência complementar dos servidores estaduais, o que amplia a gravidade do caso. O prejuízo afeta diretamente um fundo que garante aposentadorias e benefícios de milhares de servidores públicos do Amapá, aumentando a pressão por explicações sobre os critérios adotados nas decisões de investimento.
A reportagem da Metrópoles também destaca que José Milton Gonçalves já respondeu a processo por má gestão de recursos previdenciários em outro fundo, o Macapá Previdência, ligado aos servidores municipais de Macapá. Embora tenha sido absolvido em primeira instância, o caso ainda tramita na Justiça.
No cenário político nacional, o episódio gerou articulações para a criação de uma CPMI do Banco Master, iniciativa que depende do aval do próprio presidente do Senado, o que amplia a repercussão política do caso.
Em nota citada pela revista, Davi Alcolumbre negou qualquer participação na indicação de José Milton Gonçalves ou nas decisões da Amprev, classificando como falsa qualquer tentativa de associá-lo ao episódio. Ainda assim, a reportagem provocou forte repercussão no Amapá e reacendeu o debate sobre governança, fiscalização e transparência na gestão dos recursos previdenciários do estado.



