Política

PF investiga suplente de Davi Alcolumbre após saque de R$ 350 mil

Uma investigação da Polícia Federal apontou que o empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre, foi flagrado sacando R$ 350 mil em dinheiro vivo de uma agência bancária durante o andamento de um inquérito que apura suspeitas de fraudes em licitações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Amapá.

Segundo reportagem do jornal O Globo, baseada em relatório da PF, o saque ocorreu enquanto investigadores monitoravam movimentações financeiras consideradas atípicas nas contas de empresas ligadas ao empresário. As retiradas de dinheiro em espécie, segundo os investigadores, ocorreriam pouco tempo depois do recebimento de recursos provenientes de contratos públicos, o que levanta suspeitas de possível lavagem de dinheiro.

Saque monitorado pela PF

Um dos episódios descritos no relatório ocorreu em 7 de novembro de 2024, em uma agência bancária no município de Santana, na região metropolitana de Macapá. De acordo com a investigação, agentes da PF já tinham sido alertados sobre a retirada de R$ 350 mil e acompanharam a movimentação do empresário.

O documento aponta que Breno Chaves Pinto chegou ao local de carona em um veículo, entrou na agência carregando uma mochila e permaneceu cerca de 30 minutos no interior do banco. Em seguida, deixou o local e retornou ao mesmo carro, que o aguardava do lado de fora.

A PF identificou que o veículo estava registrado em nome de uma empresa pertencente a primos do senador Davi Alcolumbre. Posteriormente, a assessoria do parlamentar informou que o automóvel foi vendido ao empresário, mas a transferência formal só teria sido registrada meses depois do episódio monitorado pelos investigadores.

Suspeita de esquema em licitações

De acordo com a investigação, Breno Chaves Pinto é suspeito de atuar como um dos líderes de um grupo investigado por manipular licitações do DNIT no Amapá, supostamente simulando concorrência entre empresas para direcionar contratos públicos.

A PF aponta ainda que o empresário teria exercido influência política sobre decisões do órgão federal, valendo-se de sua condição de suplente de senador para, em tese, praticar tráfico de influência.

Os contratos investigados somam cerca de R$ 60,2 milhões e envolvem obras de manutenção e recuperação da BR-156, principal rodovia do estado, que liga municípios como Laranjal do Jari e Oiapoque.

Auditorias da Controladoria-Geral da União também apontaram lentidão na execução das obras e indícios de irregularidades.

Defesa

Procurado pela reportagem, Breno Chaves Pinto afirmou que os saques em dinheiro referem-se ao pagamento de funcionários e prestadores de serviço de suas empresas. A defesa também declarou que o processo tramita sob segredo de Justiça e que as manifestações formais são feitas apenas nos autos.

Já o senador Davi Alcolumbre afirmou não possuir relação com a atuação empresarial de seu segundo suplente.

Investigações anteriores

O empresário já havia sido alvo de outra operação da Polícia Federal em 2022. Na ocasião, agentes apreenderam cerca de R$ 800 mil em dinheiro vivo na sede de uma empresa ligada a ele durante investigações sobre superfaturamento em obras rodoviárias no estado.

A apuração atual também envolve análise de movimentações financeiras identificadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e possíveis irregularidades relacionadas a contratos públicos no Amapá.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo