Saúde

Mães atípicas protestam contra mudanças na Clínica Coração Azul na gestão DaLua

Mães atípicas realizaram uma manifestação em frente à Clínica-Escola Coração Azul, localizada na zona sul de Macapá, para denunciar mudanças consideradas abruptas no atendimento às crianças acompanhadas pela unidade. As alterações ocorreram após a posse do prefeito interino Pedro DaLua.

Segundo relatos, a principal queixa é a saída repentina de profissionais que atuavam diretamente no acompanhamento terapêutico dos pacientes, o que tem gerado preocupação entre as famílias.

A dona de casa Ciléia Ramos Serrão, mãe de uma criança atendida há mais de dois anos na clínica, afirma que as alterações têm causado impacto direto no desenvolvimento dos filhos.

“Ultimamente eles estão exonerando os terapeutas daqui do dia para a noite. O meu filho já tem dificuldade de adaptação e fazer essa troca assim, do nada, afeta muito o psicológico dele”, relatou.

Ela também destacou que a mudança frequente de profissionais compromete o vínculo construído ao longo do tratamento.

“Praticamente estão tirando quase todos. Isso afeta muito a minha estrutura também, porque aqui era a minha rede de apoio, a única que eu tenho. Para ele, começar tudo do zero vai ser muito difícil”, completou.

Outra mãe presente no protesto, Adriana Negreiros, reforçou que, além das dificuldades já enfrentadas pelas famílias, as mudanças na clínica agravam ainda mais a situação.

“Meu filho tem grau 3 de suporte. A nossa caminhada já é muito difícil. E, no meio de tudo isso, ainda exoneram os terapeutas que nossos filhos já estão acostumados”, afirmou.

Segundo ela, o tempo de atendimento também é limitado. “São apenas 30 minutos por especialidade, com no máximo três atendimentos. E agora ainda temos que lidar com essas mudanças”, criticou.

Adriana também destacou que o movimento não tem motivação política e cobrou ações concretas por parte da gestão municipal. “A gente não está aqui por político A ou B. A gente só não quer que prejudiquem mais nossos filhos, que já estão prejudicados demais. Queremos que parem de usar a causa para ganhar ‘likes’ e façam de fato o trabalho”, declarou.

Já Helen Nascimento, também mãe atípica e uma das mais antigas da clínica, relatou que o problema é recorrente e denuncia falta de transparência na gestão da unidade.

“A gente vem sofrendo com essa sequência de troca de profissionais. Ligam dizendo que não vai ter atendimento, mas não explicam o que está acontecendo”, afirmou.

Ela também criticou a ausência de diálogo por parte da direção. “A diretora nunca se apresentou pra gente, nunca veio conversar. Agora quer aparecer, mas não é assim. Crianças atípicas não são todas iguais, precisam de cuidado e respeito”, disse.

Helen destacou ainda a vulnerabilidade das famílias atendidas pela clínica. “Tem mães aqui que não têm condições de pagar uma clínica. O que a gente recebe de benefício mal dá para despesas básicas, medicação e transporte”, explicou.

As mães também apontam insatisfação com mudanças internas no funcionamento das terapias. “Estão mudando crianças de algumas terapias, mas quem deveria mudar é a neuropediatra”, afirmou uma das mães durante o protesto.

Outras denúncias

Essa não é a primeira vez que a nova gestão municipal recebe críticas em relação a ações tomadas à frente da Clinica Escola Coração Azul. No dia 11 de abril, o Portal 1 Norte publicou uma matéria com denúncias de profissionais sobre possíveis irregularidades na Clínica Escola Coração Azul da zona norte de Macapá.

Segundo esses relatos, pessoas sem vínculo formal com o município estariam atuando dentro da unidade após a nomeação da nova direção, com acesso a salas, informações internas e participação em rotinas de atendimento, o que estaria ferindo o sigilo profissional e protocolos institucionais.

Ainda de acordo com as denúncias, haveria a presença de profissionais ligados a uma clínica que seria de propriedade da nova diretora, o que poderia gerar um eventual conflito de interesse e falta de formalização contratual.

Servidores também relataram preocupação com a circulação dessas pessoas em áreas restritas e com a interferência em atendimentos, especialmente por se tratar de crianças com transtornos do espectro autista, cujo acompanhamento exige sigilo e rigor técnico.

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