Política

Denúncia aponta compra de votos, “rachadinha” e ameaças envolvendo vereador de Macapá

Um dos ex-coordenadores da campanha eleitoral de 2024 do vereador Japão Baia (Solidariedade) formalizou denúncia junto ao Ministério Público do Estado do Amapá e registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil do Estado do Amapá relatando uma série de supostas irregularidades envolvendo o parlamentar e integrantes de seu gabinete.

De acordo com o denunciante, que posteriormente atuou como assessor na Câmara Municipal de Macapá, a campanha que elegeu o vereador teria sido marcada por um esquema de compra de votos. Ele afirma que eleitores recebiam cerca de R$ 150 por voto, enquanto proprietários de veículos adesivados eram pagos entre R$ 300 e R$ 500. Também teriam sido utilizados benefícios como ingressos para shows em troca de apoio eleitoral.

Segundo o relato, a prática era organizada com o uso de códigos em mensagens, nas quais pontos de compra de votos eram chamados de “garrafões de água”. O ex-coordenador afirma ainda que o então chefe de gabinete, Alex Favacho, era responsável por cobrar a retirada e entrega de valores em dinheiro relacionados à campanha.

Já no exercício do mandato, o denunciante afirma ter sido submetido a um esquema de “rachadinha”. Ele relata que, ao assumir o cargo de assessor, foi informado de que a devolução de parte do salário seria temporária, sob a justificativa de quitar despesas da campanha. No entanto, a prática teria continuado de forma permanente.

Inicialmente, segundo ele, recebia cerca de R$ 4 mil, sendo obrigado a devolver R$ 2,2 mil. Após questionar a situação, afirma que passou a sofrer retaliações, com redução gradual do salário até cerca de R$ 1,6 mil — valor do qual ainda teria que repassar metade. As cobranças, segundo o denunciante, eram feitas diretamente por Alex Favacho.

O ex-assessor afirma que acabou sendo desligado e que, após a saída, passou a sofrer ameaças. De acordo com o boletim de ocorrência, tanto o chefe de gabinete quanto o próprio vereador teriam afirmado que ele poderia denunciar o caso “que não daria em nada”, alegando influência política.

O vereador citado é apontado como aliado político próximo do deputado estadual Rodolfo Vale, que, por sua vez, é genro do governador Clécio Luís. Rodolfo, inclusive é citado em algumas das conversas expostas pelo denunciante.

Entre as acusações, o denunciante também afirma que o vereador manteria mulheres nomeadas em secretarias do governo estadual sem exercício efetivo de função, e que participam de festas realizadas pelo próprio vereador. Ele alega ainda que ex-companheiras do parlamentar também ocupariam cargos públicos.

O ex-coordenador também levanta suspeitas sobre um suposto aumento significativo no patrimônio do vereador após a eleição, incluindo a aquisição de veículos de alto valor, além de lanchas, jetski e um balneário.

O denunciante afirma possuir provas das acusações, como mensagens, áudios, fotos e documentos, já apresentados às autoridades, e solicita a apuração dos fatos.

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