Saúde

Planilha da propina: investigação da PF aponta esquema milionário na saúde com ramificações no Amapá

A atuação do Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar (IBGH) no Amapá voltou ao centro das investigações da Polícia Federal após a descoberta de uma suposta “planilha da propina”, que detalharia repasses ilegais ligados a contratos de hospitais públicos durante a pandemia da covid-19. As informações foram reveladas em reportagem publicada pelo UOL.

Segundo a investigação, a PF e o Ministério Público identificaram indícios de um esquema de corrupção envolvendo contratos firmados em Goiás e no Amapá. O material foi encontrado em um computador apreendido ainda em 2020 durante uma operação que investigava irregularidades em unidades hospitalares administradas pelo IBGH.

De acordo com os investigadores, a planilha funcionaria como uma espécie de “contabilidade da propina”, registrando pagamentos classificados como “retorno”, termo que, para a polícia, indicaria valores desviados dos contratos públicos. Os registros apontam movimentações que somam cerca de R$ 34 milhões entre fevereiro e agosto de 2020, período mais crítico da pandemia.

As investigações apontam que os valores eram calculados com base em percentuais aplicados sobre contratos mensais, chegando, em média, a 10% dos valores pagos. Parte dos recursos teria sido distribuída em dinheiro vivo, com entregas feitas em imóveis ligados ao grupo, chácaras, veículos e até “em mãos”, segundo o relatório.

O nome do médico e empresário Hilton Picelli aparece como figura central do esquema. Conforme a PF, ele exerceria influência dentro do IBGH e, ao mesmo tempo, comandaria empresas contratadas pela própria organização social.

No Amapá, o caso ganha relevância porque, após o IBGH deixar de operar no estado por inadimplência, empresas ligadas ao grupo investigado teriam assumido parte dos serviços de saúde. Um dos quadros analisados pelos investigadores indicaria que a empresa Mediall, ligada a Picelli, ainda mantém atuação no estado.

A reportagem do UOL destaca ainda que a investigação aponta o controle do IBGH pela advogada Lázara Mundim, por Adolfo Sampaio, filho do empresário Fernando Sampaio, já falecido, e também por Hilton Picelli.

A defesa do médico contesta as acusações. O advogado Roberto Serra Maia afirmou ao UOL que as prisões realizadas foram “absolutamente ilegais” e negou qualquer participação de Picelli em esquemas de desvio de recursos públicos ou lavagem de dinheiro.

Segundo ele, todos os contratos celebrados foram lícitos e houve prestação efetiva dos serviços. A defesa também sustenta que não existem provas concretas de pagamento de propina envolvendo o médico e afirma que ele não seria controlador de fato do IBGH.

Apesar disso, os investigadores afirmam que a planilha indicaria que cerca de um terço dos valores classificados como “retorno” seria destinado a Hilton Picelli.

As operações da Polícia Federal e do Ministério Público tiveram novas fases no fim de abril deste ano, aprofundando as investigações sobre o suposto esquema que teria operado tanto em Goiás quanto no Amapá.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo