Saúde

Sindesaúde constata falta de insumos e déficit de profissionais no Hospital da Criança e do Adolescente

O Sindicato dos Enfermeiros e Trabalhadores da Saúde do Estado do Amapá (Sindesaúde-AP) realizou, nesta quinta-feira (19), uma fiscalização de emergência no Hospital da Criança e do Adolescente (HCA), em Macapá, após receber denúncias de servidores sobre a falta de insumos e a superlotação da unidade. Durante a vistoria, o sindicato confirmou os problemas relatados pelos profissionais de saúde e anunciou que formalizará denúncia junto à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

De acordo com o presidente do Sindesaúde-AP, Kliger Campos, a equipe do sindicato esteve no local para verificar a situação enfrentada diariamente pelos trabalhadores e constatou a carência de materiais essenciais para o atendimento dos pacientes.

“Recebemos denúncias de vários trabalhadores e viemos ao hospital para verificar a realidade. Constatamos a falta rotineira de insumos como seringas de 1 ml, 10 ml e 20 ml. Os profissionais estavam utilizando apenas seringas de 30 ml e 60 ml, o que prejudica a rotina de trabalho e compromete a assistência”, afirmou.

Segundo o sindicalista, também foi identificada a falta de apresentações adequadas de soro fisiológico. Atualmente, a unidade estaria dispondo apenas de frascos de 500 ml, o que obriga o descarte de grandes quantidades do produto para a realização de medicações em menores volumes.

“Há situações em que são necessárias doses de 20 ml, 30 ml, 50 ml ou 100 ml. Com apenas o soro de 500 ml disponível, uma quantidade significativa acaba sendo descartada, gerando desperdício”, explicou.

Outro problema apontado foi a escassez de luvas de procedimento e o déficit de materiais na farmácia da unidade. Conforme o relato obtido pelo sindicato, o estoque da Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF) estaria praticamente vazio, obrigando o hospital a adquirir grande parte dos insumos necessários para manter o funcionamento dos serviços.

“A informação que recebemos é que a CAFE está praticamente sem materiais e que cerca de 70% dos insumos utilizados atualmente estão sendo comprados pela própria unidade para garantir o atendimento”, disse Campos.

Além da falta de materiais, a fiscalização também identificou um quadro considerado preocupante em relação ao número de profissionais de enfermagem. Segundo o Sindesaúde, a superlotação dos setores tem levado os trabalhadores a se reorganizarem constantemente para atender a demanda.

“O déficit de profissionais é exorbitante. Encontramos equipes sobrecarregadas e situações em que pacientes necessitavam de leito de UTI, mas a unidade enfrentava dificuldades por falta de profissionais suficientes para receber e atender esses pacientes”, destacou o presidente do sindicato.

Ao final da vistoria, o Sindesaúde informou que encaminhará um relatório com as irregularidades constatadas ao secretário estadual de Saúde, solicitando providências para regularizar o abastecimento de insumos e reforçar o quadro de profissionais da unidade.

Até o fechamento desta matéria, a Secretaria de Estado da Saúde ainda não havia se manifestado sobre os apontamentos apresentados pelo sindicato. O espaço permanece aberto para posicionamento oficial da pasta.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo