Por ordem de Pedro DaLua, vereadores são impedidos de entrar no plenário da Câmara de Macapá; clima fica tenso
Segurança da Casa barrou parlamentares que tentavam realizar a eleição da Mesa Diretora. Marcelo Dias, Bruno Igreja e Alexandre Azevedo denunciaram restrições ao exercício dos mandatos.
A disputa pelo comando da Câmara Municipal de Macapá provocou momentos de tensão nesta sexta-feira (9). Vereadores foram impedidos pela segurança da Casa de entrar no plenário, segundo os parlamentares, por determinação do atual presidente, Pedro DaLua. A situação gerou discussões e ânimos exaltados entre os vereadores e os agentes responsáveis pelo controle de acesso.
O episódio ocorreu após a Mesa Diretora adiar para 30 de dezembro a eleição que estava marcada para esta sexta-feira. A mudança aconteceu em meio à disputa política entre o grupo de Pedro DaLua e Margleide Alfaia e a chapa adversária, encabeçada por Marcelo Dias, que havia anunciado o apoio de 13 dos 23 vereadores da Câmara.
Os parlamentares que tentaram acessar o plenário contestaram a restrição, argumentando que o exercício do mandato lhes assegura o direito de circular pelas dependências do Legislativo. Apesar das discussões, a segurança manteve o bloqueio, impedindo a entrada do grupo.
Durante a discussão, Marcelo Dias cobrou diretamente do comandante da Guarda da Câmara a liberação do acesso ao plenário. O vereador argumentou que o grupo tem maioria suficiente para convocar uma sessão extraordinária e que eventuais questionamentos sobre a legalidade da reunião deveriam ser resolvidos posteriormente pela Justiça.
“A gente é maioria. A gente pode fazer a sessão extraordinária no momento que quiser. Se quiser chamar uma sessão extraordinária para meia-noite, para uma hora da manhã, a gente pode. É isso que eu quero que você entenda”, afirmou Marcelo.
Em seguida, o parlamentar insistiu na liberação da entrada e criticou o impedimento imposto pela segurança.
“Então libera a nossa entrada, vamos tranquilamente fazer isso aí. Depois, se o presidente ou a presidente quiser recorrer à Justiça e dizer que é tudo ilegal, o problema é dela. Só que agora não pode impedir a gente de trabalhar”, declarou.
O vereador Alexandre Azevedo, também integrante da chapa de Marcelo Dias, denunciou que, além do bloqueio ao plenário, os equipamentos de sonorização haviam sido retirados, o que, segundo ele, demonstraria uma tentativa de inviabilizar a eleição.
“Além do plenário estar trancado, foram retirados todos os equipamentos de sonorização, para que, de todo modo, pudesse ser evitado que a maioria dos vereadores pudesse exercer, com sua autonomia, a garantia do Regimento Interno, a nova eleição da Mesa Diretora da Câmara”, afirmou.
Azevedo também criticou a atuação da atual presidência, acusando o grupo de DaLua de tentar permanecer no comando do Legislativo mesmo sem contar com o apoio da maioria dos parlamentares.
“São atos que não são democráticos, no sentido de se manter no poder sem ter condição de estar no poder, porque não tem mais a maioria da Casa”, declarou.
O vereador Bruno Igreja também se manifestou durante a confusão e afirmou que 12 parlamentares estavam tentando exercer o direito de realizar a eleição prevista originalmente no edital. Segundo ele, o impedimento de acesso ao plenário teria partido diretamente de Pedro DaLua.
“Hoje o que nós estamos fazendo aqui é o nosso trabalho, e estamos sendo impedidos por ordem de uma única pessoa, que é o atual presidente da Câmara de Vereadores de Macapá”, denunciou.
Bruno Igreja também afirmou que a posição do grupo reflete a vontade da maioria dos integrantes do Legislativo e questionou a permanência de DaLua à frente da Casa.
“Se nós temos hoje maioria, isso é da vontade da Casa e, principalmente, nós estamos acatando a vontade do povo. Se você for fazer hoje uma pesquisa de opinião pública, o povo de Macapá não aceita mais o presidente Pedro DaLua à frente desta Casa”, declarou o parlamentar, expressando sua avaliação sobre a opinião da população.
Eleição adiada na véspera
Na quinta-feira (8), a Mesa Diretora publicou o Edital nº 002/2026-MD-CMM, transferindo a eleição para 30 de dezembro, às 10h. O documento também remarcou a inscrição das chapas para 29 de dezembro, das 8h às 14h.
O adiamento ocorreu depois que a chapa de Marcelo Dias apresentou o apoio de 13 vereadores, quantidade que corresponde à maioria absoluta da Câmara Municipal de Macapá. A sequência dos acontecimentos levantou questionamentos entre os parlamentares sobre a motivação da mudança no calendário eleitoral.
O edital menciona um processo judicial relacionado à eleição da Mesa Diretora, mas não detalha os motivos específicos para a escolha da nova data.
Vereadores entram no plenário
Após momentos de tensão e resistência por parte da segurança da Câmara Municipal de Macapá, os vereadores conseguiram entrar no plenário nesta sexta-feira (9). O acesso foi liberado depois de uma negociação com a Guarda Civil Municipal, permitindo que os parlamentares dessem continuidade à mobilização pela realização da eleição da Mesa Diretora.
O vereador Alexandre Azevedo destacou que a liberação ocorreu após os agentes compreenderem a posição dos parlamentares, que reivindicavam o direito de exercer suas funções legislativas.
“Depois de uma certa resistência, em função da determinação da presidência, houve a compreensão da Guarda Civil Municipal. É importante dizer isso, que a gente contou com a compreensão da Guarda Civil Municipal, porque aqui é uma decisão da maioria absoluta dos vereadores”, afirmou.
Segundo Azevedo, 12 parlamentares estavam presentes no plenário e pretendiam realizar duas sessões extraordinárias, abertas a todos os 23 integrantes da Câmara, para dar andamento aos procedimentos relacionados à escolha da nova direção da Casa.
“Somos 12 vereadores que estamos aqui no propósito de fazer cumprir aquilo que é estabelecido na lei e no nosso Regimento Interno. Faremos agora duas sessões extraordinárias, abertas a todos os 23 vereadores”, anunciou.
O parlamentar também ressaltou que todos os vereadores teriam a oportunidade de participar das sessões, apresentar suas posições e exercer o direito ao voto.
Azevedo afirmou ainda que o grupo pretende conduzir os trabalhos com tranquilidade, defendendo que a iniciativa respeita a legislação e a autonomia do Poder Legislativo.
Com a entrada dos parlamentares no plenário, a disputa ganhou um novo desdobramento. Apesar do adiamento oficial da eleição para 30 de dezembro, o grupo liderado por Marcelo Dias pretende dar continuidade ao processo de escolha da Mesa Diretora ainda nesta sexta-feira.



