Política

Em eleição marcada por suspeitas de irregularidade, Pedro DaLua é reeleito presidente da Câmara de Macapá

Vereador Alexandre Azevedo questiona a legalidade do pleito, aponta possíveis irregularidades na participação de parlamentares e anuncia que pretende judicializar o resultado.

O vereador Pedro DaLua (União Brasil) foi reeleito presidente da Câmara Municipal de Macapá nesta terça-feira (13), com 12 votos, durante eleição para a Mesa Diretora do biênio 2027-2028. A votação ocorreu em meio a uma disputa política pelo comando do Legislativo e foi alvo de questionamentos do vereador Alexandre Azevedo (Podemos), que denunciou supostas irregularidades e informou que pretende recorrer à Justiça para contestar o processo eleitoral.

Entre os vereadores que apoiaram a chapa de DaLua estão Margleide Alfaia, Ruzivan, Joselyo, Paulo Nery, Cláudio Góes, Banha Lobato, Lorena Quintas, Daniel Theodoro, Luanny Favacho, Reginaldo Faraó e o próprio Pedro DaLua. Japão Baía é apontado como o 12º voto, ainda pendente de confirmação nominal.

A eleição aconteceu apesar de a própria Mesa Diretora ter publicado anteriormente o Edital nº 002/2026, que estabelecia o dia 30 de dezembro para a escolha da nova direção.

Na última sexta-feira (9), um grupo de 12 vereadores realizou uma sessão extraordinária que decidiu anular os efeitos do edital de adiamento, defendendo a manutenção do calendário original e a convocação de uma nova data para a eleição.

Alexandre Azevedo aponta irregularidades e pretende judicializar eleição

Após a votação desta terça-feira, o vereador Alexandre Azevedo criticou a realização da eleição e afirmou que o processo apresenta uma série de irregularidades que, na avaliação dele, comprometem a legitimidade do resultado.

“É aquilo que a gente já vinha dizendo para a sociedade macapaense, argumentando aqui no plenário da Câmara de Vereadores, mas mesmo assim eles insistiram em cometer mais um ato ilegal, irregular e ilegítimo”, declarou.

Um dos principais questionamentos envolve a participação de Pedro DaLua na sessão. Alexandre afirmou que o presidente da Câmara havia comunicado ao Tribunal de Justiça do Amapá que se afastaria da função de prefeito interino de Macapá entre os dias 7 e 12 de outubro.

Como a eleição ocorreu no dia 13, o parlamentar sustenta que DaLua estaria novamente na condição de prefeito interino e, portanto, não poderia presidir os trabalhos legislativos, votar ou ser votado.

“Como é que ele, na condição de prefeito interino, pode estar na Câmara como vereador, presidindo uma sessão, votando e sendo votado?”, questionou.

Diante das irregularidades apontadas, Alexandre informou que pretende judicializar a eleição, buscando uma análise da Justiça sobre a legalidade da votação e a validade do resultado. O parlamentar considera que os fatos apresentados oferecem fundamentos para questionar judicialmente o processo de escolha da nova Mesa Diretora.

“Irregularidade sem fim, sem tamanho, que eu tenho absoluta certeza que a Justiça do Estado do Amapá se fará presente e promoverá a verdade”, afirmou.

Cassação de Luana Serrão também é contestada

Outro ponto levantado pelo vereador foi a participação de Reginaldo Faraó, que assumiu uma cadeira no Legislativo após a cassação do mandato da vereadora Luana Serrão (União Brasil).

A parlamentar teve a perda do mandato declarada pela Mesa Diretora no último dia 8, sob a justificativa de excesso de faltas às sessões legislativas. Luana contesta a decisão e ingressou na Justiça para tentar recuperar o mandato.

Para Alexandre Azevedo, a cassação foi ilegal e a participação de Faraó na eleição também estaria comprometida.

“Só isso já causa a participação do Faraó ilegítima numa sessão, quanto mais numa sessão que promove eleição de Mesa Diretora”, afirmou.
A situação de Luana Serrão ampliou a tensão política na Câmara, especialmente porque a vereadora integrava o grupo de apoio à chapa de Marcelo Dias, adversária de Pedro DaLua na disputa pela presidência.

Vereador também critica gestão municipal

Durante a manifestação, Alexandre Azevedo também fez críticas à administração de Macapá, conduzida interinamente por Pedro DaLua desde o afastamento do prefeito Mário Neto.

Ele apontou problemas relacionados à coleta de lixo, à conservação das ruas e a reclamações de fornecedores sobre atrasos nos pagamentos da Prefeitura.

“Macapá tem se tornado a cidade do lixão, com a proliferação de ratos, urubus e, consequentemente, de doenças. Macapá está cheia de buracos”, afirmou.

Alexandre pediu que a população acompanhe os acontecimentos políticos e participe das discussões sobre a administração municipal.

“Tenham certeza que nós aqui continuaremos combativos, mas a gente precisa da participação popular e eu conto com vocês”, concluiu.

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