
Senador classificou como inaceitáveis as declarações da presidente da estatal sobre a instalação de uma base logística em Belém e defendeu que o Amapá seja beneficiado diretamente pela exploração de suas riquezas.
O senador Lucas Barreto (PSD-AP) reagiu às declarações da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sobre a possibilidade de Belém, no Pará, concentrar a estrutura logística para a exploração de petróleo na costa do Amapá. O parlamentar criticou a perspectiva de que empregos, investimentos e oportunidades econômicas decorrentes da atividade sejam direcionados ao estado vizinho, enquanto o Amapá ficaria sem parte significativa dos benefícios.
“O petróleo está na costa do Amapá, mas querem levar os empregos, os investimentos e o desenvolvimento para o Pará. Isso é uma afronta inaceitável”, declarou o senador.
A manifestação ocorre após Magda Chambriard afirmar, na sexta-feira (9), durante encontro com jornalistas em Belém, que a capital paraense possui melhores condições de infraestrutura para apoiar as operações petrolíferas do que Oiapoque, no Amapá.
Segundo a presidente da estatal, Belém já desempenha um papel importante no suporte às atividades exploratórias e poderá ampliar essa participação caso seja confirmada a viabilidade comercial das descobertas na Margem Equatorial. A declaração foi divulgada pela CNN Brasil e pelo jornal O Liberal.
Para Lucas Barreto, no entanto, o Amapá não pode repetir experiências do passado, quando grandes projetos econômicos exploraram recursos naturais do estado sem produzir, na avaliação dele, desenvolvimento proporcional para a população.
“O Amapá não é um depósito de riquezas para ser explorado enquanto seu povo permanece no subdesenvolvimento. O Projeto Jari e a exploração de manganês deixaram lições dolorosas. Não permitiremos que nossas riquezas sejam exploradas enquanto nosso povo fica com a pobreza e o abandono”, afirmou.
Senador defende infraestrutura e incentivos fiscais
Lucas Barreto argumentou que o Amapá possui condições de desenvolver a infraestrutura necessária para atender à indústria petrolífera e defendeu uma atuação conjunta do governo estadual e da bancada federal para garantir investimentos no estado.
O parlamentar também destacou as vantagens competitivas da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana e os incentivos relacionados à Zona Franca Verde, que, segundo ele, poderiam representar uma economia bilionária para a Petrobras, além de estimular a industrialização regional.
“Temos tempo e condições de construir a infraestrutura necessária. Teremos um governo forte e uma bancada federal que não aceitará essa agressão ao Amapá. Temos vantagens competitivas. Os incentivos da Área de Livre Comércio podem representar bilhões em economia para a Petrobras”, declarou.
O senador afirmou ainda que o objetivo deve ir além da arrecadação de royalties, com a instalação de atividades produtivas, geração de empregos e fortalecimento da economia amapaense.
“Não queremos apenas royalties, queremos empregos, investimentos e desenvolvimento para nossa gente. A Petrobras precisa entender: não pedimos favores, temos condições de ser parceiros estratégicos e não ficaremos de braços cruzados”, reforçou.
Petrobras aposta no potencial da costa amapaense
A discussão ocorre em um momento de novas descobertas de petróleo na costa do Amapá. No último dia 2 de outubro, a Petrobras anunciou a identificação de uma segunda camada com petróleo no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas.
Na ocasião, Magda Chambriard destacou a valorização das áreas exploratórias da companhia e afirmou que o Amapá estava se tornando economicamente mais relevante para a estatal.
Apesar dos resultados, a Petrobras ressalta que a viabilidade comercial das descobertas ainda depende de novas perfurações e estudos para dimensionar as reservas e avaliar as condições de produção.
A definição da estrutura logística será um dos pontos importantes para o futuro da atividade. Embora Belém já apresente vantagens operacionais, Lucas Barreto defende que a proximidade dos recursos petrolíferos deve representar uma oportunidade concreta de desenvolvimento para o Amapá.
Ao encerrar sua manifestação, o senador cobrou respeito ao estado e reafirmou que pretende atuar para impedir que os benefícios econômicos da atividade fiquem concentrados fora do território amapaense.
“O Amapá não nasceu para ser explorado e abandonado. Nossas riquezas não podem enriquecer outros enquanto nosso povo permanece na pobreza. Exigimos respeito e não abriremos mão do nosso futuro”, concluiu.



