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Setor produtivo do Amapá repudia Petrobras e exige instalação de base logística para exploração de petróleo no estado

Em nota conjunta, sete entidades empresariais criticam escolha de Belém como principal centro de apoio às operações na Margem Equatorial e cobram investimentos, empregos e infraestrutura para o Amapá.

As principais entidades representativas do setor produtivo do Amapá divulgaram uma nota conjunta de repúdio às declarações da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sobre a escolha de Belém, no Pará, como principal base de apoio logístico às operações de exploração de petróleo na costa amapaense. O documento, datado de segunda-feira (12), exige que a estatal reveja seu planejamento e assegure ao Amapá os investimentos e benefícios econômicos decorrentes da atividade petrolífera.

A manifestação é assinada por sete entidades: Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amapá (FAEAP), Federação das Indústrias do Estado do Amapá (FIEAP), Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio/AP), Câmara de Dirigentes Lojistas de Macapá (CDL), Associação Comercial e Industrial do Amapá (ACIA), Federação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte do Amapá (FEMICRO/AP) e Sistema OCB/AP.

Na avaliação das entidades, a decisão de priorizar o estado vizinho desconsidera os impactos sociais, econômicos e ambientais que as operações petrolíferas poderão provocar no território e nas águas próximas ao Amapá, além de comprometer oportunidades de desenvolvimento regional.

“As justificativas apresentadas de que o Estado do Pará possui maior suporte infraestrutural desconsideram o fato de que os impactos diretos, sociais, econômicos e ambientais da atividade exploratória ocorrem em território e águas fronteiriças ao Amapá”, afirma um trecho da nota.

O documento também critica a possibilidade de o Amapá ficar restrito a atividades secundárias na cadeia logística, enquanto os principais investimentos, contratos e postos de trabalho seriam concentrados fora do estado.

Para os representantes empresariais, a exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, incluindo o prospecto Morpho e o bloco FZA-M-59, deve representar uma oportunidade concreta de transformação econômica para a população amapaense.

Entidades exigem revisão do planejamento da Petrobras

A nota apresenta duas reivindicações consideradas fundamentais para assegurar a participação do Amapá na cadeia produtiva do petróleo.

A primeira é a imediata adequação do planejamento logístico da Petrobras, de modo que a base de apoio operacional e marítimo à exploração e à futura produção da Margem Equatorial seja instalada em território amapaense.

A segunda reivindicação é o compromisso da estatal com o desenvolvimento local, mediante investimentos diretos na infraestrutura portuária, aeroportuária e nos demais serviços necessários ao funcionamento da atividade petrolífera.

As entidades defendem que o Amapá receba centros logísticos, bases portuárias e operacionais, além de oportunidades de qualificação profissional, geração de empregos e fornecimento de bens e serviços.

“O Amapá não aceita desempenhar apenas o papel de suporte aéreo ou de abrigo de estruturas passivas”, destaca a manifestação.

Segundo o setor produtivo, concentrar a principal estrutura operacional no Pará representaria uma afronta ao desenvolvimento regional e poderia impedir que parte significativa dos benefícios econômicos da exploração petrolífera permaneça no Amapá.

Reação amplia pressão sobre a Petrobras

A manifestação conjunta das entidades empresariais amplia a pressão política e econômica sobre a Petrobras em torno da definição da infraestrutura que dará suporte às operações na Margem Equatorial.

O posicionamento ocorre em meio às discussões sobre o papel do Amapá na futura cadeia de petróleo e gás, considerada uma das principais possibilidades de diversificação da economia estadual.

A escolha da base logística possui importância estratégica porque pode influenciar a localização de investimentos em portos, transporte, armazenagem, manutenção, serviços especializados e contratação de trabalhadores.

Embora a maior infraestrutura atualmente disponível no Pará seja apontada como justificativa para a preferência por Belém, o setor produtivo amapaense sustenta que essa condição não deve impedir novos investimentos capazes de preparar o Amapá para receber operações de maior complexidade.

Para as entidades, a exploração do petróleo precisa estar associada à formação de mão de obra local, à ampliação da capacidade empresarial e ao fortalecimento da infraestrutura estadual.

Ao final do documento, as organizações reafirmam que não medirão esforços políticos e institucionais para defender a participação efetiva do Amapá nos investimentos relacionados à exploração petrolífera.

“O setor produtivo amapaense permanece firme na defesa do desenvolvimento socioeconômico sustentável e não medirá esforços políticos e institucionais para garantir que as riquezas da nossa costa gerem progresso e dignidade para a população do Amapá”, conclui a nota.

A manifestação representa uma posição conjunta de segmentos da agricultura, indústria, comércio, serviços, micro e pequenas empresas e cooperativismo, que cobram da Petrobras uma estratégia de desenvolvimento capaz de assegurar ao Amapá participação nos benefícios econômicos da exploração de petróleo em sua costa.

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