Política

Em busca da reeleição no Senado, Alcolumbre enfrenta resistência da direita e troca críticas com Nikolas Ferreira

Presidente do Senado tenta ampliar alianças para permanecer no cargo em 2027, mas enfrenta candidatura do PL, resistência de parlamentares do Centrão e cobranças sobre pedidos de impeachment de ministros do STF

A tentativa de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) de conquistar mais um mandato à frente do Senado Federal tem provocado uma série de embates com parlamentares da direita. Enquanto articula apoios para a eleição de fevereiro de 2027, o senador amapaense enfrenta resistência de setores do PL e até de integrantes de partidos que anunciaram apoio à sua recondução. O mais recente episódio envolve o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que respondeu publicamente às críticas feitas por Alcolumbre durante uma sessão no plenário do Senado, nesta quarta-feira (4).

O presidente do Congresso reclamou de ataques pessoais, ofensas e ameaças que afirma receber de adversários políticos. Sem mencionar diretamente Nikolas, criticou a atitude de lideranças que viajaram ao Amapá para promover manifestações contra sua atuação.

“Estão impossíveis porque a todo instante eu estou falando das ofensas, das agressões e das ameaças”, declarou Alcolumbre, ao afirmar que o ambiente político brasileiro tem sido marcado pelo radicalismo.

A declaração foi interpretada como uma referência à manifestação realizada por Nikolas Ferreira em Macapá, no dia 13 de setembro. Na ocasião, o deputado reuniu apoiadores para pressionar Alcolumbre a dar andamento aos pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nikolas responde e cobra explicações

Em vídeo publicado nas redes sociais, Nikolas Ferreira reagiu ao pronunciamento do presidente do Senado e afirmou que sua participação na manifestação no Amapá representou uma cobrança política legítima.

“Sabe o que não está normal, Alcolumbre? Eu vou te contar. O que não está normal é um deputado sair de Minas Gerais, ir ao Amapá, fazer uma cobrança pública e o presidente do Senado tratar isso como se fosse uma agressão, ofensa ou ameaça”, afirmou.

O deputado também direcionou críticas à situação social e econômica do Amapá. Citou indicadores relacionados à falta de saneamento básico, dificuldades de acesso à água tratada, violência e pobreza, questionando a atuação política de Alcolumbre, que exerce mandato no Senado desde 2015.

Nikolas afirmou que o senador demonstra indignação com manifestações políticas, mas não apresenta a mesma reação diante dos problemas enfrentados pela população amapaense.

O parlamentar também retomou cobranças sobre os pedidos de impeachment de ministros do STF e mencionou suspeitas e investigações relacionadas a pessoas próximas ao presidente do Senado. As acusações apresentadas no vídeo não constituem, por si só, comprovação de irregularidades.

Ao encerrar a gravação, Nikolas fez uma crítica direta à permanência de Alcolumbre no comando do Congresso e defendeu uma mudança na presidência do Senado em 2027.

Reeleição encontra resistência até entre aliados

O confronto acontece em meio à movimentação de Alcolumbre para assegurar votos suficientes para continuar presidindo o Senado a partir de fevereiro de 2027.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, publicada em 14 de outubro, o senador busca apoio de partidos do Centrão e até de integrantes do PL. As articulações também contam com o respaldo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A estratégia, entretanto, enfrenta dificuldades.

Na quarta-feira (4), a bancada do PL oficializou a candidatura do senador Rogério Marinho (RN) à presidência da Casa. O partido terá 29 dos 81 senadores na próxima legislatura e pretende utilizar sua força parlamentar para disputar o comando do Senado.

Além de Marinho, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) também articula uma candidatura, ampliando a disputa por votos entre parlamentares da direita e do centro.

A resistência alcança até a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, que anunciou apoio à reeleição de Alcolumbre no dia 27 de outubro.

De acordo com a CNN Brasil, Tereza Cristina e o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) contestaram a decisão. Derrite manifestou posição contrária à recondução do atual presidente e defendeu a união da direita em torno de uma candidatura alternativa.

Impeachment de ministros do STF está no centro da disputa

Um dos principais pontos de atrito entre Alcolumbre e a oposição é a condução dos pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.

Parlamentares ligados ao bolsonarismo acusam o presidente do Senado de impedir o avanço dessas iniciativas, especialmente as direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes.

A cobrança ganhou força durante a campanha eleitoral de 2026 e se transformou em um dos principais argumentos utilizados por políticos da direita para defender uma mudança no comando da Casa.

Outro foco de insatisfação envolve a condução de propostas relacionadas à anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

Para a oposição, a atuação de Alcolumbre nessas questões demonstra maior proximidade com interesses do governo Lula do que com as prioridades defendidas pelo campo conservador.

O presidente do Senado, por sua vez, tem defendido o respeito às instituições e criticado a transformação das divergências políticas em ataques pessoais.

Articulação com Arthur Lira busca reduzir resistências

Na tentativa de fortalecer sua candidatura, Alcolumbre também aposta na aproximação com o senador eleito Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Segundo reportagem da CNN Brasil, publicada em 28 de outubro, a articulação prevê que Lira ajude a reduzir resistências dentro do PP e entre parlamentares de centro-direita.

Nos bastidores, o acordo envolve a possibilidade de Lira receber o apoio de Alcolumbre para disputar a presidência do Senado em 2029.

A movimentação demonstra a importância das negociações entre diferentes grupos políticos para a definição do próximo comando do Congresso.

Disputa terá voto secreto

A eleição para a presidência do Senado está marcada para 1º de fevereiro de 2027 e será realizada por votação secreta.

Esse formato é considerado um dos principais fatores nas articulações de Alcolumbre, já que permite que senadores votem independentemente das posições públicas de seus partidos.

Para tentar evitar adesões não declaradas ao atual presidente, Rogério Marinho defende que parlamentares da direita tornem públicos seus votos.

O cenário coloca Alcolumbre diante de um desafio político: conquistar apoio de parte dos mesmos grupos que têm intensificado as críticas à sua atuação.

Com uma bancada conservadora fortalecida pelas eleições de outubro e candidaturas alternativas em articulação, a disputa pelo comando do Senado promete ser um dos primeiros grandes confrontos políticos de 2027.

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