Política

Ao Metrópoles, Furlan fala em “nova Dubai” com petróleo e cobra início da transição no Amapá

Governador eleito aponta desafios na BR-156, defende preparação de Oiapoque para a indústria petrolífera e anuncia estratégias de combate ao crime organizado

O governador eleito do Amapá, Dr. Furlan (PSD), afirmou que o estado precisa se preparar para aproveitar as oportunidades econômicas da exploração de petróleo na Margem Equatorial e cobrou o início da transição de governo. Em entrevista ao programa Acorda Metrópoles, nesta quarta-feira (4), ele destacou os desafios de infraestrutura, a necessidade de qualificação profissional e os planos para a segurança pública a partir de 2027.

A entrevista ocorreu exatamente um mês após a vitória de Furlan no primeiro turno das eleições, com 62,75% dos votos válidos. Durante a conversa, o governador eleito defendeu que o Amapá assuma uma posição estratégica no desenvolvimento da indústria petrolífera, especialmente diante da expansão das atividades de exploração na costa norte da América do Sul.

“Fala-se numa nova Dubai naquele trecho norte da América do Sul: Guiana, Suriname, Venezuela, Guiana Francesa e o Brasil via Amapá. E o Amapá não vai abrir mão do protagonismo de ser o estado responsável por ter as bases, por ter a estrutura para que esse desenvolvimento cause a transformação social que a gente tanto espera”, declarou.

BR-156 e preparação de Oiapoque

Um dos principais desafios apontados por Furlan é a conclusão da pavimentação da BR-156. Segundo ele, aproximadamente 110 quilômetros do trecho norte ainda precisam receber asfalto, problema que ganha maior dimensão diante das perspectivas de crescimento econômico com o petróleo.

“Se antigamente só os amapaenses passavam por lá, agora o Brasil vai passar e também o mundo, porque o petróleo vai estar lá”, afirmou.

O governador eleito também revelou que conversou com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sobre a preparação de Oiapoque para o crescimento populacional e a instalação de atividades relacionadas ao setor petrolífero.

Segundo Furlan, o município já enfrenta ocupações desordenadas e precisa de investimentos em saneamento, habitação e planejamento urbano. Ele defendeu a elaboração de um novo Plano Diretor para acompanhar as transformações previstas para a região.

Além de Oiapoque, municípios como Calçoene também foram citados como áreas que poderão ser diretamente impactadas pelo novo cenário econômico.

Qualificação profissional e atração de empresas

Furlan afirmou que pretende desenvolver um programa de qualificação profissional voltado às demandas da indústria de óleo e gás. A proposta envolve identificar as oportunidades de emprego que deverão surgir nos próximos anos e preparar os trabalhadores amapaenses para ocupá-las.

“Algumas oportunidades vão surgir daqui a um ano. Outras vão surgir daqui a cinco anos. Eu tenho que preparar o jovem primeiro para essa que está mais próxima”, explicou.

O governador eleito também citou a Lei PetroMacapá, criada durante sua administração municipal, que prevê incentivos tributários para empresas interessadas em se instalar na capital mediante contrapartidas como contratação de mão de obra local e aquisição de produtos e serviços no estado.

Segundo ele, a estratégia para o futuro governo será atrair empresas e bases operacionais para o Amapá, de modo que os benefícios econômicos do petróleo não fiquem restritos à arrecadação de royalties.

Furlan cobra início da transição de governo

Outro ponto da entrevista foi a demora na abertura do processo de transição entre a gestão do governador Clécio Luís e a equipe do governador eleito.

Furlan afirmou que, passados 30 dias da eleição, ainda não havia ocorrido o início formal dos trabalhos, situação que considera preocupante diante dos desafios administrativos do estado.

“Nós estamos há 30 dias da vitória nas eleições e não tivemos ainda o início da transição no estado do Amapá. Isso nos preocupa porque estamos falando de uma responsabilidade com o povo do Amapá”, declarou.

A cobrança ocorre quase um mês depois de Furlan encaminhar um ofício ao governador Clécio Luís solicitando a abertura formal do processo. O documento, datado de 6 de outubro e protocolado no dia 7, pediu a criação de um canal institucional entre as equipes e acesso a informações administrativas, financeiras, orçamentárias e contratuais do estado.

Apesar da situação, Furlan afirmou que vem antecipando a definição dos integrantes do futuro governo para permitir que os indicados iniciem o planejamento das respectivas áreas.

Entre os setores que já tiveram nomes anunciados estão Saúde, Cidades, Casa Civil, Procuradoria-Geral do Estado e Polícia Civil.

Segurança pública terá foco na prevenção e na inteligência

Durante a entrevista, Furlan também apresentou as diretrizes que pretende adotar para enfrentar os índices de violência no Amapá, que aparece entre os estados com maiores taxas de mortes violentas do país.

O governador eleito afirmou que a política de segurança pública será organizada em três eixos: prevenção, resposta direta às ocorrências e enfrentamento às estruturas financeiras do crime organizado.

Na prevenção, a proposta é fortalecer projetos sociais para reduzir o recrutamento de jovens por organizações criminosas. Na atuação policial, o objetivo será melhorar o atendimento às ocorrências e ampliar o uso da inteligência para orientar as operações.

“Fazer com que o crime organizado seja sufocado, principalmente quem faz aquele suporte financeiro, fazer com que a inteligência do governo do estado, da segurança pública, norteie as ações”, destacou.

Furlan também defendeu a integração entre as forças estaduais e o governo federal, citando a PEC da Segurança Pública como instrumento importante para fortalecer a cooperação.

O governador eleito já anunciou o delegado Fábio Araújo, atual titular da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio de Santana, para assumir o comando da Polícia Civil em 2027.

Relação com Lula e articulação política

Questionado sobre a relação com o governo federal, Furlan afirmou que pretende manter o diálogo institucional com o presidente Lula, independentemente das diferenças partidárias.

O governador eleito destacou sua ligação com o PSD, presidido por Gilberto Kassab, e defendeu uma atuação conjunta entre o estado e a União, sobretudo nos investimentos relacionados ao petróleo e à infraestrutura.

“Eu sempre disse: o meu país é o Amapá”, declarou.

Sobre a polarização política, Furlan afirmou que as disputas eleitorais precisam ser deixadas de lado após o encerramento das eleições para que os gestores concentrem esforços na execução de políticas públicas.

Ele também defendeu o equilíbrio entre programas sociais, responsabilidade fiscal e geração de empregos, ressaltando a importância de proteger a população vulnerável e ampliar as oportunidades de trabalho.

Ao encerrar a entrevista, Furlan afirmou que pretende manter uma rotina de acompanhamento direto dos problemas do estado, semelhante à adotada durante sua passagem pela Prefeitura de Macapá.

A nova administração estadual assume em 1º de janeiro de 2027, com desafios que vão da reorganização dos serviços públicos à preparação do Amapá para um possível novo ciclo de desenvolvimento econômico impulsionado pelo petróleo.

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