Juarez Menescal, a mente criativa por trás do “Prefeitão” e do “Governadorzão”

Da improvável virada de 2020 à construção digital que acompanhou Dr. Furlan até o Governo do Amapá, estrategista ajudou a transformar redes sociais em um dos principais ativos políticos do agora governador eleito
Quando Dr. Furlan subiu ao palco para celebrar a vitória que o levou ao Governo do Amapá, neste domingo, havia muita gente por trás daquele resultado. Lideranças políticas, militantes, coordenadores, profissionais de diferentes áreas e uma estrutura construída ao longo de meses de campanha.
Entre os personagens dessa história está um nome que acompanha Furlan desde quando chegar tão longe ainda parecia improvável: Juarez Menescal.
Nos bastidores da comunicação, Menescal está diretamente ligado à construção de duas expressões que se incorporaram à identidade política de Furlan: primeiro, o “Prefeitão”. Agora, o “Governadorzão”.
Mais do que slogans, os termos sintetizam uma estratégia que ajudou a criar proximidade entre o político e o público, traduziu realizações administrativas para a linguagem das redes sociais e transformou a comunicação digital em um dos pilares da trajetória que levou Furlan da Assembleia Legislativa à Prefeitura de Macapá e, agora, ao Governo do Estado.
A história dessa parceria ajuda também a contar uma transformação na forma de fazer comunicação política no Amapá.
A virada que começou em 2020
Em 2020, Dr. Furlan disputava pela primeira vez a Prefeitura de Macapá. E os números mostram o tamanho do desafio.
No primeiro turno, terminou com apenas 16,03% dos votos válidos, 32.369 votos, bem atrás do primeiro colocado, que alcançou 29,47%. Poucas semanas depois, o cenário havia mudado completamente: Furlan venceu o segundo turno com 101.091 votos, ou 55,67% dos válidos.
Foi naquela campanha que o trabalho de Menescal ganhou uma dimensão decisiva.
Com conhecimento construído não apenas pela teoria, mas principalmente pela vivência cotidiana das plataformas, observação do comportamento do público, testes, erros, acertos e experimentações, ele ajudou a desenvolver uma linguagem própria para as redes de Furlan.
O candidato precisava ser apresentado para além do deputado estadual e do médico conhecido por parte do eleitorado. Era necessário criar conexão.
A comunicação ficou mais direta, popular, ágil e emocional. O conteúdo passou a conversar com a lógica das redes sem perder a mensagem política. Furlan não aparecia apenas como candidato. Era alguém próximo, reconhecível e capaz de estabelecer uma relação direta com quem estava do outro lado da tela.
Aquela campanha terminaria com uma das grandes viradas da eleição municipal de 2020 em Macapá.
E o que nasceu durante uma eleição não desapareceria depois dela.
Do “Prefeitão” à consolidação de uma marca
Com Furlan na Prefeitura, a comunicação deixou de ser apenas eleitoral e passou a acompanhar diariamente a administração.
Menescal permaneceu próximo das redes sociais do prefeito e posteriormente ocupou funções na estrutura de comunicação da Prefeitura de Macapá, chegando ao comando da Secretaria Municipal de Comunicação Social. Em janeiro de 2025, após a histórica reeleição de Furlan, foi oficialmente empossado secretário municipal de Comunicação.
Nesse período, consolidou-se o “Prefeitão”.
A expressão combinava com uma estratégia baseada na presença permanente do prefeito nas redes, na exposição das entregas da gestão e em uma comunicação menos burocrática do que a tradicional comunicação institucional.
Obras, escolas, unidades de saúde, praças, iluminação, pavimentação, eventos e ações sociais passaram a ser apresentados em formatos pensados para circular no ambiente digital.
O resultado político dessa trajetória apareceu nas urnas em 2024.
Furlan foi reeleito prefeito de Macapá com 204.291 votos, equivalentes a 85,08% dos votos válidos. Foi o maior percentual alcançado por um prefeito eleito entre todas as capitais brasileiras naquele pleito.
Quatro anos antes, ele entrara no segundo turno com pouco mais de 32 mil votos. Na reeleição, ultrapassava a marca de 204 mil.
Entre uma eleição e outra, havia uma administração submetida diariamente à avaliação popular — mas também uma sofisticada engrenagem de comunicação responsável por transformar realizações administrativas em informação compreensível, compartilhável e, principalmente, conectada à vida das pessoas.
Inteligência Artificial com estratégia e emoção
Na campanha para o Governo do Amapá, Juarez Menescal acrescentou uma nova ferramenta a esse repertório: a Inteligência Artificial. Não como modismo.
Em um momento no qual conteúdos produzidos por IA se multiplicaram nas redes sociais e muitas vezes se resumiram a imagens curiosas, efeitos ou peças visualmente chamativas, a campanha de Furlan procurou dar à tecnologia uma função narrativa.
A IA passou a ser utilizada como instrumento para contar histórias.
Peças produzidas para as redes transportavam o público para cenários possíveis, recuperavam entregas realizadas em Macapá e construíam visualmente a ideia de como experiências da capital poderiam ganhar escala estadual.
A tecnologia estava ali. Mas o elemento central continuava sendo humano.
Famílias, bairros, sonhos, transformações urbanas, expectativas e a percepção de futuro eram colocados no centro da narrativa. A Inteligência Artificial funcionava como ferramenta para ampliar a capacidade de contar essas histórias e produzir imagens capazes de dialogar com o imaginário e a emoção do eleitor.
Essa talvez seja uma das características mais marcantes do trabalho de Menescal: a tecnologia nunca aparece como finalidade; aparece como meio.
O algoritmo importa. A plataforma importa. O formato importa. Mas tudo isso só funciona quando existe uma história capaz de chegar às pessoas.
Nasce o “Governadorzão”
Se o “Prefeitão” surgiu associado à experiência de Furlan à frente de Macapá, a campanha estadual precisava resolver outro desafio: transportar aquela identidade para os 16 municípios.
Foi nesse contexto que apareceu o “Governadorzão”.
A expressão preservava uma marca já reconhecida e, ao mesmo tempo, sinalizava o passo seguinte da trajetória política de Furlan.
A comunicação procurou fazer uma ponte simples: mostrar o que havia sido realizado na capital e apresentar o que o candidato propunha para o restante do Amapá.
Ao longo da campanha, Furlan chegou à reta final ocupando a liderança nos levantamentos divulgados sobre a disputa estadual. A vitória nas urnas encerrou uma trajetória iniciada seis anos antes em circunstâncias completamente diferentes.
Em 2020, Furlan precisava virar uma eleição para chegar à Prefeitura.
Em 2024, precisava transformar uma gestão popular em uma reeleição, e terminou com 85,08% dos votos válidos.
Em 2026, o desafio passou a ser estadual.
Em todas essas etapas, a comunicação digital esteve no centro da estratégia.
O homem dos bastidores
Quem acompanha apenas as peças prontas dificilmente enxerga as dezenas de decisões existentes antes de um conteúdo chegar à tela de um celular.
Qual imagem usar. Qual frase abrirá um vídeo. Quantos segundos uma mensagem pode levar para capturar a atenção. Quando emocionar. Quando informar. Quando brincar. Quando deixar o próprio personagem conduzir a comunicação.
É nesse território que Juarez Menescal construiu boa parte de sua trajetória.
Seu trabalho mistura experiência, conhecimento das plataformas, leitura de comportamento e uma característica especialmente importante num ambiente que muda praticamente todos os dias: disposição para experimentar.
Não existe fórmula definitiva para rede social. O formato que funcionava ontem pode envelhecer amanhã. Menescal entendeu cedo essa dinâmica e fez dela parte de seu método.
Da campanha improvável de 2020 à eleição estadual de 2026, passaram-se apenas seis anos.
Nesse intervalo, Dr. Furlan deixou de ser um candidato que começou o primeiro turno municipal com 16% dos votos para chegar ao Governo do Amapá.
E Juarez Menescal esteve nos bastidores de toda essa transformação.
Se nas urnas os votos pertencem aos eleitores e no palco os holofotes naturalmente se voltam para o candidato eleito, campanhas vitoriosas também são construídas por profissionais que quase nunca aparecem na fotografia principal.
Na história política recente de Dr. Furlan, um deles ajudou a criar o Prefeitão.
E, seis anos depois, ajudou a apresentar ao Amapá o Governadorzão.



