Política

Operação eleitoral mira deputada Aldilene Souza e apreende cerca de R$ 1,85 milhão no Amapá

Justiça autorizou buscas contra sete investigados em apuração sobre suspeitas de compra de votos, coação eleitoral e uso da máquina pública; investigação também apura possível manipulação de programa social

A deputada estadual Aldilene Souza (PDT) foi um dos alvos de uma operação realizada nesta quinta-feira (1º) no Amapá a pedido do Ministério Público Eleitoral. A ação investiga suspeitas de compra de votos, coação de eleitores e uso indevido da estrutura pública em benefício eleitoral.

Ao todo, sete pessoas são investigadas. Durante o cumprimento das medidas judiciais, foram apreendidos aproximadamente R$ 1,85 milhão em dinheiro, além de valores em euros e dólares. Segundo as informações da investigação, mais de R$ 1,5 milhão teria sido localizado na residência da parlamentar.

Os mandados foram autorizados pela Justiça Eleitoral e cumpridos pela Polícia Federal. Houve buscas na residência e no gabinete de Aldilene Souza na Assembleia Legislativa do Amapá, além de outros endereços ligados aos demais investigados.

A decisão judicial também autorizou a apreensão e análise de dispositivos eletrônicos, inclusive dados armazenados em serviços de nuvem, e determinou o afastamento cautelar de duas servidoras públicas, uma vinculada ao Super Fácil e outra à Assembleia Legislativa, até o fim do segundo turno das eleições.

Programa social entra na investigação

Um dos principais pontos apurados é a possível utilização política do programa estadual Renda para Viver Melhor e da distribuição de cestas básicas.

Segundo o MP Eleitoral, elementos reunidos durante a investigação indicariam que a entrada ou permanência de famílias em situação de vulnerabilidade nos benefícios sociais estaria sendo condicionada ao apoio a determinadas candidaturas.

Há ainda, conforme os investigadores, relatos de beneficiários que teriam sido ameaçados com a retirada da assistência caso não confirmassem apoio eleitoral.

O Ministério Público também chamou atenção para o crescimento do número de famílias atendidas pelo Renda para Viver Melhor. O programa, que teria permanecido durante determinado período com cerca de 10 mil beneficiários, chegou a 13.305 pessoas em junho de 2026.

O próprio MP ressalta que o aumento, isoladamente, não comprova qualquer ilícito. O dado passou a integrar a investigação quando analisado em conjunto com documentos, comunicações e outras informações reunidas no inquérito.

Investigação teve origem em operação contra facção

A apuração eleitoral é apontada como um desdobramento de elementos encontrados durante a Operação Labirinto de Creta, realizada pela Polícia Civil em março deste ano.

A operação original teve como objetivo atingir uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, com atuação também fora do Amapá. Na ocasião, foram expedidos 40 mandados de prisão preventiva e 49 de busca e apreensão. A investigação estimava movimentações superiores a R$ 22 milhões. (Portal do Governo do Estado do Amapá⁠)

De acordo com as informações que embasam a nova apuração, durante as diligências da Labirinto de Creta teriam sido encontradas, na residência de uma mulher apontada pela investigação como integrante da facção Família Terror do Amapá (FTA), fichas contendo dados de eleitores associados à atuação política de Aldilene Souza.

Diálogos posteriormente analisados pelos investigadores também teriam indicado possível prática de crimes eleitorais. O material foi encaminhado para aprofundamento das investigações na esfera eleitoral.

Dinheiro é alvo da investigação

A origem e a possível destinação do dinheiro encontrado durante as buscas deverão ser analisadas pelos investigadores.

A suspeita investigada é de que parte dos recursos pudesse estar relacionada a práticas de corrupção eleitoral. Até o momento, porém, não há condenação, e a apreensão dos valores, por si só, não comprova que o dinheiro seria utilizado para compra de votos.

Aldilene Souza disputa novamente uma vaga de deputada estadual nas eleições deste domingo (4). O registro de candidatura da parlamentar pelo PDT está deferido pela Justiça Eleitoral.

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