Senador eleito Guilherme Derrite contraria partido e anuncia que não votará em Davi Alcolumbre

Mesmo após a Federação União Progressista declarar apoio à recondução do senador amapaense, Derrite afirma que votará em um candidato escolhido pela direita para comandar o Senado.
O senador eleito por São Paulo Guilherme Derrite (PP) anunciou, nesta terça-feira (27), que não votará pela recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) à presidência do Senado Federal. A declaração foi feita em vídeo publicado nas redes sociais, poucas horas depois de a Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo Progressistas, oficializar apoio ao parlamentar amapaense.
Derrite, que recebeu mais de 13 milhões de votos nas eleições deste ano, deixou claro que não seguirá a orientação da federação da qual seu partido faz parte.
“Eu, senador Guilherme Derrite, não votarei no senador Davi Alcolumbre. Votarei no candidato que a direita escolher”, afirmou.
A manifestação expõe uma divergência dentro da própria federação, que havia anunciado apoio a Alcolumbre por meio de nota assinada pelos presidentes nacionais Antonio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP. No documento, as legendas destacaram a experiência do atual presidente do Senado e defenderam sua permanência como forma de garantir estabilidade institucional e equilíbrio político.
Derrite defende candidatura única da direita
No vídeo, o senador eleito defendeu que os parlamentares de direita se unam em torno de um único nome para disputar o comando da Casa. Entre as possibilidades, mencionou Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS).
Segundo Derrite, a escolha do próximo presidente do Senado será fundamental para garantir que a oposição consiga avançar em suas principais pautas, especialmente nas discussões envolvendo o Poder Judiciário e a segurança pública.
“O Senado Federal vai ter um papel extremamente relevante para restabelecer o equilíbrio na democracia do nosso país”, declarou.
O parlamentar também fez críticas ao governo Lula, principalmente em relação à política de segurança pública, à criação de impostos e à atuação do Executivo diante de propostas legislativas defendidas pela direita.
Para Derrite, a eleição de um presidente do Senado alinhado a essas posições é essencial para que os parlamentares exerçam o papel constitucional de fiscalização e de freios e contrapesos.
Disputa pelo Senado ganha força
A declaração ocorre em meio às articulações para a eleição da Mesa Diretora do Senado, marcada para fevereiro de 2027.
Embora Alcolumbre tenha conquistado o apoio formal da Federação União Progressista, a posição de Derrite demonstra que o respaldo das direções partidárias não significa necessariamente a adesão de todos os parlamentares.
O PL, que contará com a maior bancada da Casa, também articula uma candidatura própria, tendo Rogério Marinho entre os principais nomes. A eleição será realizada por votação secreta, e o vencedor precisará conquistar pelo menos 41 dos 81 votos.
A resistência de Derrite acrescenta um novo componente à disputa e indica que Alcolumbre precisará negociar apoios individuais, inclusive entre integrantes dos partidos que já anunciaram oficialmente sua recondução.



