Entidades acusam governador Clécio e senador Randolfe de calote em emendas socioassistenciais no Amapá
A gestão do governador Clécio Luís (Solidariedade) e o mandato do senador Randolfe Rodrigues (PT) estão no centro de uma grave denúncia feita por instituições socioassistenciais do Amapá, que acusam o Governo do Estado e o parlamentar de não cumprirem o repasse de emendas anunciadas publicamente há quase dois anos. A denúncia foi divulgada pela Casa Nosso Lar AP, entidade sem fins lucrativos que atua no acolhimento e apoio a pacientes do Tratamento Fora de Domicílio (TFD).
Segundo a entidade, sete organizações socioassistenciais seguem aguardando a liberação de recursos prometidos em uma cerimônia oficial realizada no dia 31 de janeiro de 2024. O evento contou com a presença de autoridades, discursos, registros oficiais e a entrega simbólica de um cheque. De acordo com a denúncia, o senador Randolfe Rodrigues participou da cerimônia e foi um dos protagonistas do anúncio das emendas, amplamente divulgadas à época como reforço à rede de proteção social do Estado.
Passados quase dois anos, no entanto, as instituições afirmam que os recursos nunca chegaram. Em publicação nas redes sociais, a Casa Nosso Lar classifica o episódio como “mais um símbolo de desrespeito institucional”, destacando que o que restou da solenidade foi apenas a imagem do cheque simbólico, enquanto as entidades acumulam dívidas, reduzem atendimentos e enfrentam risco real de encerramento das atividades.
A denúncia atribui responsabilidade direta à Secretaria de Assistência Social pela não execução dos repasses, mas ressalta que o problema reflete a condução política do próprio Governo do Estado. Para as entidades, a gestão do governador Clécio Luís demonstra incapacidade administrativa ao permitir que recursos anunciados em ato público permaneçam travados por anos. “Um governador que tolera esse cenário revela fragilidade política e falta de comando sobre a máquina pública”, afirma a postagem.
O mandato do senador Randolfe Rodrigues também é alvo de questionamentos. As organizações ressaltam que anunciar emendas, posar para fotos e participar de cerimônias não é suficiente. Segundo a denúncia, caberia ao parlamentar não apenas divulgar os recursos, mas acompanhar, cobrar e pressionar o Executivo estadual para garantir que o dinheiro fosse efetivamente liberado. “Emenda não executada é promessa vazia”, diz o texto.
A entidade reforçou que o impacto da falta de repasse é sentido diretamente por pessoas em situação de vulnerabilidade, atendidas diariamente por essas organizações. “O cheque foi simbólico, mas as consequências são bem reais”, conclui a Casa Nosso Lar.



