Associação é criada no Amapá com proposta de defender jornalistas e comunicadores independentes

A criação da Associação de Jornalistas e Comunicadores Independentes do Norte (Ajocin) foi anunciada nesta semana com a formalização do registro da entidade, que já possui certidão de pessoa jurídica. A iniciativa surge, segundo seus fundadores, com o objetivo de oferecer apoio institucional e jurídico a profissionais da comunicação que afirmam não se sentirem representados pelas entidades de classe existentes.
A presidente da Ajocin, Adriana Garcia, afirmou que a criação da associação foi motivada pelo aumento de ações judiciais envolvendo jornalistas, comunicadores e influenciadores digitais no Amapá.
“Hoje é um dia muito importante para nós, comunicadores e jornalistas que exercemos essa profissão aqui no estado do Amapá. Estamos com a certidão de pessoa jurídica da Ajocin, Associação de Jornalistas e Comunicadores Independentes do Norte. Essa associação significa que nós não estávamos sendo defendidos, não estávamos sendo amparados”, declarou.
Segundo Adriana, as entidades representativas da categoria estariam “capturadas pela política”, o que, em sua avaliação, comprometeria a defesa isenta dos profissionais de imprensa.
Ela afirmou ainda que existem “mais de 100 processos” em andamento contra jornalistas, comunicadores e influenciadores, os quais atribuiu ao governador do Amapá, Clécio Luís. A presidente da associação argumenta que esse cenário pode provocar autocensura entre profissionais da comunicação.
“Se a gente achar isso normal, o que vai acontecer? Vai haver uma autocensura. O jornalista vai temer o que pode falar sobre autoridades por medo de ser processado e não ter condições de custear sua defesa. Isso não é democracia, é um sinal de alerta para a sociedade amapaense”, afirmou.
Defesa da liberdade de expressão
De acordo com Adriana Garcia, a Ajocin foi criada para garantir respaldo a jornalistas que, segundo ela, desejam exercer a profissão com independência e liberdade.
“Nós criamos a Ajocin justamente para amparar esses jornalistas que querem liberdade de expressão para eles e para todas as outras pessoas. Não estamos aqui por questões políticas. Estamos aqui para preservar o direito da sociedade de ser informada e o direito do jornalista exercer sua profissão sem medo.”
Ela também criticou a atuação de parte da própria categoria, afirmando que há profissionais que contribuem para restringir a liberdade de outros jornalistas por motivações políticas.
Operação
Durante o pronunciamento, Adriana também fez referência à Operação Palanque Digital, deflagrada pela Polícia Federal, que teve jornalistas entre os alvos de mandados de busca e apreensão.
Segundo ela, a apreensão de celulares e equipamentos de comunicação representa uma ameaça ao sigilo da fonte e ao exercício da atividade jornalística.
“Eu não quero que minha casa seja invadida pela Polícia Federal às seis horas da manhã para pegar o meu celular. Nós temos fontes protegidas por lei e uma série de informações que não são crime. Quando isso é criminalizado, estão calando a voz do jornalista.”
Na avaliação da presidente da Ajocin, situações como essas colocam em risco a liberdade de imprensa e, consequentemente, a própria democracia.
“Precisamos que a sociedade ouça os dois lados e tenha o contraditório. A partir do momento em que todos são obrigados a falar a mesma coisa, isso é tudo, menos democracia”, concluiu.



