Política

Suplente de Randolfe responde a ação penal por ameaça contra ex-companheira no Amapá

Gabriel Andrade, do PDT, é réu em processo que tramita na Central de Violência Doméstica de Macapá; ocorrência também registrou injúria e tentativa de vias de fato

O empresário Carlos Gabriel Andrade Nonato, conhecido eleitoralmente como Gabriel Andrade e registrado como primeiro suplente na chapa do senador Randolfe Rodrigues (PT) nas Eleições 2026, responde a uma ação penal por ameaça no contexto de violência doméstica contra a ex-companheira. Andrade concorre pelo PDT na chapa de Randolfe ao Senado pelo Amapá.

O processo nº 6077565-03.2025.8.03.0001 tramita no Gabinete 02 da Central de Violência Doméstica do Tribunal de Justiça do Amapá. O Ministério Público do Estado do Amapá aparece como autor da ação, Carlos Gabriel como réu e Gabriela Siqueira de Lima como vítima. O processo tem como assuntos “ameaça” e crimes previstos na Lei Maria da Penha.

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, os fatos teriam ocorrido na noite de 24 de junho de 2025, em uma residência no bairro Santa Inês, em Macapá. O MP afirma que Carlos Gabriel, ex-companheiro da vítima e com quem ela tem dois filhos, teria passado a injuriá-la e ameaçá-la durante uma discussão.

De acordo com a versão relatada pela vítima e reproduzida na denúncia, ela teria ido ao local buscar os filhos depois de receber uma ligação do filho mais velho. Ainda conforme o documento, Carlos Gabriel teria dirigido palavras ofensivas contra a ex-companheira, dado um soco no veículo dela e feito uma ameaça que, segundo o MP, causou temor pela integridade física da vítima. Familiares teriam intervindo, permitindo que ela deixasse o local com as crianças.

O boletim de ocorrência que deu origem à investigação também registrou, além de ameaça e injúria, uma ocorrência classificada como tentativa de vias de fato contra mulher. O inquérito foi instaurado pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Macapá.

Defesa nega ameaças e ofensas

Em interrogatório policial, Carlos Gabriel negou ter ameaçado ou ofendido a ex-companheira. Segundo a denúncia do Ministério Público, ele também afirmou que não estava embriagado e sustentou que a discussão ocorreu porque a vítima teria ido à residência sem aviso prévio. Disse ainda que os desentendimentos entre os dois estariam relacionados a questões financeiras e à guarda dos filhos.

Apesar de o registro policial mencionar outras ocorrências, a denúncia formal apresentada pelo Ministério Público imputou a Carlos Gabriel o crime de ameaça, previsto no artigo 147, §1º, do Código Penal, com incidência da Lei Maria da Penha. O MP pediu a instauração do processo criminal e, ao final, a condenação do acusado.

Processo segue em andamento

A ação penal continua em tramitação. Em agosto deste ano, o Ministério Público informou que uma promotora declarou suspeição por motivo de foro íntimo e solicitou a redistribuição do processo para outro membro da instituição, de forma a garantir a continuidade da atuação ministerial.

Em decisão de 10 de setembro de 2026, a Justiça determinou que o próprio Ministério Público adotasse internamente as providências necessárias para indicar outro promotor sem impedimento ou suspeição e garantir o prosseguimento da ação, inclusive na audiência de instrução e julgamento.

Gabriel Andrade, de 35 anos, é candidato a primeiro suplente de senador pelo PDT na chapa encabeçada por Randolfe Rodrigues. Dados eleitorais publicados a partir das informações do TSE apontam que seu registro está deferido em prazo recursal ou com recurso.

Até o momento, os documentos analisados não indicam condenação. O caso encontra-se em tramitação, e as acusações ainda serão submetidas ao julgamento do Poder Judiciário.

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