Após Portal 1 Norte e Potoca, página Fato TV também é derrubada do Instagram na reta final das eleições

Perfil do comunicador Edson Martini desapareceu nesta terça-feira (29), após a remoção de vídeos de manifestações contra Randolfe Rodrigues; página estava alcançando cerca de 7 milhões de pessoas em 28 dias
A cinco dias das eleições de 2026, mais uma página de comunicação do Amapá foi retirada do Instagram. Desta vez, o perfil atingido foi o Fato TV, do comunicador Edson Martini, que relatou a desativação de sua conta nesta terça-feira (29), sem aviso prévio.
O episódio ocorre após a remoção de outras páginas que divulgavam notícias e críticas a figuras políticas do estado, entre elas o Portal 1 Norte e a pagina do Programa Potoca. Esta ultima, inclusive, também era administrado por Martini.
Os três veículos têm em comum a produção de conteúdo independente e a divulgação de críticas ao governo Clécio Luís e a seus aliados políticos. A sequência de desativações, especialmente durante o período eleitoral, amplia a preocupação com a liberdade de expressão e os critérios adotados pelas plataformas digitais.
Segundo Edson Martini, a queda da Fato TV ocorreu após a remoção de dois vídeos relacionados a manifestações contra o senador Randolfe Rodrigues.
Um dos conteúdos registrava um buzinaço realizado no sábado (26), com a participação de Martini e do candidato a deputado federal Joel Cavalcante. O outro mostrava uma nova manifestação na BR-156, cuja publicação, segundo o comunicador, estava próxima de alcançar 100 mil visualizações.
Martini relatou que os dois vídeos foram retirados do ar antes da desativação de sua conta.
O comunicador também destacou o alcance que a página havia conquistado. Segundo ele, o perfil registrava uma média de 7 milhões de pessoas alcançadas em um período de 28 dias, consolidando-se como um importante canal de comunicação no estado.
*Portal 1 Norte ficou 101 dias fora do ar*
O Portal 1 Norte enfrentou situação semelhante em maio deste ano. A página foi desativada em 24 de maio e permaneceu 101 dias fora do Instagram, retornando somente em 2 de setembro, após uma disputa judicial contra a Meta.
Na decisão judicial, a empresa não apresentou provas concretas que justificassem a desativação do perfil. A plataforma havia alegado uma suposta violação de seus padrões de integridade, mas não identificou a conduta que teria motivado a medida.
O caso provocou prejuízos à distribuição de notícias do veículo, que precisou recorrer à Justiça para recuperar seu principal canal de comunicação com os leitores.
Outro caso é o do Potoca, projeto de comunicação de Edson Martini. O perfil estava ativo desde 2020 e funcionava como um canal de divulgação de cortes e entrevistas do programa Potoca, que recebia políticos de diferentes partidos e posicionamentos.
Segundo Martini, o programa sempre manteve espaço aberto para que representantes de diferentes correntes políticas apresentassem suas ideias e dialogassem com a população amapaense.
Apesar dessa trajetória, a página foi derrubada e, segundo o comunicador, nunca mais foi restabelecida.
Martini associa a sucessão de desativações ao atual posicionamento político de seus canais. Para ele, o fato de seus conteúdos terem passado a fazer oposição ao governo estadual pode estar relacionado às medidas sofridas pelos perfis.
O comunicador considera que está sendo alvo de perseguição política, embora não tenha apresentado elementos que comprovem a participação de autoridades nas remoções.
Agora, com a desativação da Fato TV, Martini enfrenta novamente a perda de um canal de comunicação nas redes sociais.
*Liberdade de imprensa em discussão*
A sucessão de episódios ocorre em um momento de intensa movimentação política no Amapá, às vésperas do primeiro turno das eleições, marcado para domingo, 4 de outubro.
A retirada de páginas que divulgam informações e críticas a agentes públicos gera preocupação sobre os efeitos dessas medidas na circulação de notícias e no exercício da liberdade de imprensa.
Embora os veículos atingidos tenham em comum a divulgação de conteúdos críticos ao governo Clécio Luís e a seus aliados, não há, até o momento, elementos que comprovem uma ação coordenada para retirar os perfis do ar ou a participação de autoridades públicas nas desativações.
No caso da Fato TV, ainda não foram esclarecidos os motivos específicos da remoção nem se houve alguma determinação judicial.



