Lula é reeleito presidente após virada histórica sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno

Derrotado no primeiro turno, petista conseguiu reverter a vantagem do adversário após intensa mobilização nas ruas e nas redes sociais; com 99,83% das seções totalizadas, Lula alcançou 51,76% dos votos válidos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) após protagonizar uma virada histórica na disputa pela Presidência da República contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Com 99,83% das seções eleitorais totalizadas, Lula recebeu 51,76% dos votos válidos, o equivalente a 64.120.476 votos, enquanto o adversário somou 48,24%, com 59.759.548 votos. A Justiça Eleitoral já apontava a eleição como matematicamente definida.
O resultado representa uma mudança significativa em relação ao primeiro turno, realizado no dia 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro terminou na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Na ocasião, o candidato do PL abriu uma vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos e chegou ao segundo turno em posição favorável.
A reação petista nas três semanas seguintes, entretanto, mudou o cenário eleitoral. Diante da derrota no primeiro turno, o PT intensificou a mobilização de sua militância, ampliou a presença nas ruas e reorganizou a estratégia de comunicação, especialmente nas redes sociais. A campanha passou a apostar em grandes manifestações, no engajamento de movimentos sociais e na participação de lideranças políticas e influenciadores digitais.
Mobilização nas ruas foi decisiva para a reação petista
Um dos principais elementos da virada foi a capacidade de mobilização demonstrada pelos apoiadores de Lula. Após o primeiro turno, a militância petista intensificou a realização de atos públicos, caminhadas e manifestações em diferentes regiões do país, numa tentativa de ampliar o apoio ao presidente e conquistar eleitores que não haviam votado nele na primeira etapa da eleição.
A estratégia também envolveu mudanças na condução da campanha, maior participação de Lula em manifestações populares e uma ofensiva digital para enfrentar a estrutura de comunicação bolsonarista. O movimento de reação foi registrado ainda na primeira quinzena de outubro, quando a campanha passou a tratar a mobilização nas ruas como prioridade.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro também promoveu grandes mobilizações, reunindo apoiadores em atos públicos e mantendo forte presença nas plataformas digitais. A candidatura contou com o engajamento de lideranças conservadoras e influenciadores ligados ao bolsonarismo, numa disputa que levou milhares de pessoas às ruas nas últimas semanas.
A reta final da eleição foi marcada por manifestações expressivas dos dois campos políticos, incluindo atos de Lula no Rio de Janeiro e de Flávio Bolsonaro em Belo Horizonte, além de uma intensa batalha nas redes sociais.
Apesar da mobilização dos dois lados, foi a campanha petista que conseguiu transformar a desvantagem inicial em vitória nas urnas. A reação nas ruas, associada à reorganização da comunicação e à ampliação das alianças políticas, aparece entre os principais fatores da recuperação eleitoral de Lula, embora não seja possível atribuir a virada exclusivamente a um deles.
Mais de quatro milhões de votos de vantagem
Os números parciais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que Lula abriu uma vantagem de 4.360.928 votos sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno.
A diferença contrasta com o resultado da primeira votação, quando o senador havia superado o presidente por cerca de 2,2 milhões de votos. A mudança evidencia a capacidade de recuperação eleitoral do petista e a intensidade da disputa travada nas últimas três semanas.
Com a vitória matematicamente definida, Lula conquista mais um mandato à frente da Presidência da República, que terá início em 1º de janeiro de 2027.
O resultado também representa uma derrota para o projeto político liderado por Flávio Bolsonaro, que chegou ao segundo turno impulsionado pelo desempenho no primeiro turno e pela mobilização do eleitorado conservador, mas não conseguiu manter a vantagem até a votação decisiva.
A eleição de 2026 entra para a história política brasileira como uma disputa marcada pela polarização, pela força das campanhas digitais e, sobretudo, pelo retorno das grandes mobilizações populares às ruas. Foi nesse ambiente que Lula conseguiu reverter um resultado inicialmente desfavorável e assegurar sua permanência no Palácio do Planalto por mais quatro anos.
Dados do segundo turno: TSE, conforme imagens da apuração atualizadas às 21h21min43s de 25 de outubro de 2026, com 99,83% das seções totalizadas. Dados do primeiro turno: totalização de 5 de outubro de 2026.



