Alcolumbre vira alvo de ação que pede quebra de sigilo sobre visitas de Beto Louco ao Senado

Ação popular quer saber se empresário investigado na Operação Carbono Oculto esteve no Senado entre 2023 e 2025; Casa já negou acesso aos registros alegando proteção da LGPD
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tornou-se alvo de uma ação popular que tenta obrigar a Casa a revelar se Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, esteve nas dependências do Senado entre 2023 e 2025. A informação foi publicada pelo ICL Notícias nesta quarta-feira (30).
A ação foi apresentada pelo piloto Mauro Mattosinho, testemunha da Operação Carbono Oculto, e distribuída à 5ª Vara Federal Cível do Distrito Federal. O processo inclui pedido de liminar e busca obter as datas e os horários de eventuais entradas e saídas de Beto Louco no Senado.
Segundo a reportagem, a petição aponta Alcolumbre, na condição de presidente do Senado, como responsável pela manutenção do sigilo sobre as informações. O pedido tenta derrubar o que os autores classificam como um sigilo genérico aplicado aos registros de acesso à Casa.
Senado já negou informações
Os dados sobre Beto Louco já haviam sido solicitados anteriormente pelo UOL por meio da Lei de Acesso à Informação. O Senado negou o pedido alegando que a divulgação dos registros poderia violar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Um recurso administrativo também não resultou na liberação das informações.
A ação popular questiona justamente esse argumento e sustenta que registros mantidos por uma instituição pública também devem ser analisados sob os princípios da publicidade e da transparência.
Beto Louco esteve pelo menos duas vezes na Câmara dos Deputados em 2023, conforme registros obtidos pelo UOL. Na ocasião, declarou como destinos o PP e o gabinete de um deputado. Os registros referentes ao Senado, entretanto, permanecem sem divulgação.
Investigado na Operação Carbono Oculto
Roberto Augusto Leme da Silva é investigado no esquema revelado pela Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis. Em setembro, ele e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
As investigações apontam suspeitas de utilização de empresas, fintechs e fundos de investimento para movimentar e ocultar recursos. Autoridades investigam possíveis vínculos do esquema com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Beto Louco permanece foragido.
A própria ação citada pelo ICL ressalva que suspeitas relacionadas aos contatos do empresário com autoridades não constituem, até o momento, fatos definitivamente comprovados.
Outra disputa sobre registros chegou ao STF
A discussão sobre a divulgação das visitas ao Senado também está presente em outro processo. O vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo) recorreu ao Supremo Tribunal Federal após a Casa negar informações sobre a entrada de oito pessoas, entre elas Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e Fábio Luís Lula da Silva.
O caso ficou sob responsabilidade do ministro Luiz Fux, que determinou, em 23 de setembro, que o Senado apresentasse informações sobre os motivos da negativa. A decisão não determinou, naquele momento, a divulgação das listas de visitantes.
Beto Louco não integra a relação de nomes daquele processo, razão pela qual a nova ação busca especificamente os registros relacionados ao empresário.
O pedido de liminar contra o sigilo deverá ser analisado pela 5ª Vara Federal Cível do Distrito Federal. Até a publicação da reportagem do ICL, não havia decisão determinando a abertura das informações.



