Amapá sedia laboratório inédito para desenvolvimento de narrativas negras e indígenas da Amazônia.
Entre os dias 1º e 4 de junho, Macapá recebe a primeira edição do AfroEstima Lab Amazônico de Narrativas Negras e Indígenas, iniciativa voltada ao desenvolvimento de longas-metragens de ficção e obras seriadas criadas por realizadores negros, quilombolas e indígenas da Amazônia. Realizado na Biblioteca Pública Elcy Lacerda e na CUFA Amapá, o laboratório reúne oito projetos selecionados para uma programação de masterclasses, consultorias e atividades de desenvolvimento conduzidas pela cineasta indígena Karkará Tunga, pela roteirista Maíra Oliveira, pelo produtor audiovisual Rodrigo Aquiles e pela realizadora e curadora Rayane Penha.
O encerramento acontece no dia 4 de junho, na sede da CUFA Amapá, com uma sessão pública de pitching dos oito projetos participantes. Ao final, serão premiados o Melhor Pitching de Longa-Metragem e o Melhor Pitching de Obra Seriada.
Antes da etapa em Macapá, o AfroEstima Lab promoveu uma ação territorial em Oiapoque, nos dias 28 e 29 de maio, com atividades na Aldeia Manga e no Museu Kuahí. A programação incluiu uma vivência entre realizadores indígenas e a cineasta Karkará Tunga, além de uma masterclass voltada às narrativas indígenas em espaços de desenvolvimento de roteiro.
“O AfroEstima Lab nasce da compreensão de que as narrativas amazônicas precisam ser desenvolvidas a partir dos próprios territórios e das pessoas que os habitam. Realizar o laboratório entre Macapá e Oiapoque é reafirmar que a Amazônia não é apenas um cenário, mas um centro de criação, pensamento e inovação narrativa para o audiovisual brasileiro”, afirma Rayane Penha, idealizadora e diretora do AfroEstima Lab Amazônico de Narrativas Negras e Indígenas.
O laboratório é um desdobramento do Festival Pan-Amazônico de Cinema Negro AfroEstima, realizado pela primeira vez em 2025 no Amapá. Na ocasião, o festival recebeu 233 filmes de todas as regiões do país e promoveu exibições, debates e atividades formativas que evidenciaram a necessidade de um espaço permanente para o desenvolvimento de narrativas negras e indígenas amazônicas.
“A escolha do Amapá como sede do laboratório reforça a importância estratégica do Estado, que concentra um dos maiores conjuntos de territórios quilombolas da Amazônia e possui forte articulação indígena, especialmente na região de fronteira com a Guiana Francesa”, destaca Rayane Penha.
O AfroEstima Lab Amazônico de Narrativas Negras e Indígenas conta com o apoio do Projeto Paradiso, iniciativa de fomento ao audiovisual brasileiro que investe na formação e no desenvolvimento de profissionais e projetos em todo o país. A realização do laboratório também conta com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Amapá (Secult), da Biblioteca Pública Elcy Lacerda e da CUFA Amapá, instituições parceiras que contribuem para fortalecer a criação e a circulação de narrativas negras e indígenas na Amazônia.



