Cúpula do União Brasil, partido de Alcolumbre e Clécio, é citada em investigação sobre R$ 400 milhões da Amprev no Banco Master

Reportagem do UOL revela atuação de Antônio Rueda e ACM Neto na captação de recursos previdenciários; mensagens mencionam comissão de R$ 11 milhões relacionada à operação no Amapá
A cúpula nacional do União Brasil, partido do senador Davi Alcolumbre e do governador Clécio Luís, aparece no centro de novas revelações sobre o escândalo do Banco Master. Reportagem publicada nesta sexta-feira (16) pelo UOL mostra que o presidente nacional da legenda, Antônio Rueda, e o vice-presidente, ACM Neto, são citados em mensagens obtidas pela Polícia Federal sobre articulações para captar recursos de institutos estaduais de previdência, incluindo a Amapá Previdência (Amprev), que aplicou R$ 400 milhões na instituição financeira.
A investigação jornalística, assinada por Fabio Serapião, Natália Portinari e Cézar Feitoza, revela conversas encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro que apontam a influência de dirigentes do União Brasil na aproximação do Master com fundos previdenciários de diferentes estados.
No Amapá, as revelações atingem politicamente a legenda que reúne Alcolumbre e Clécio, além de trazerem novos elementos sobre os bastidores da operação autorizada durante a gestão de Jocildo Silva Lemos na Amprev. Ex-tesoureiro de campanha de Alcolumbre, Jocildo foi indicado ao comando do órgão pelo senador, segundo o UOL.
Mensagens revelam articulação política e comissão milionária no Amapá
Um dos episódios mais relevantes apresentados pela reportagem ocorreu em 12 de julho de 2024, quando o Banco Master aguardava a aprovação de uma operação milionária envolvendo a previdência dos servidores amapaenses.
Naquele dia, o tesoureiro do banco, Alberto Felix, informou a Vorcaro que uma reunião estava acontecendo no Amapá, mas que Antônio Rueda teria determinado a suspensão temporária das operações diante da repercussão de notícias negativas sobre o Master.
Na mesma manhã, Rueda apagou dez mensagens consecutivas e pediu a Vorcaro: “Apaga essas mensagens”.
Cerca de uma hora depois, Fernando Mascarenhas, então diretor comercial do Master, informou ao banqueiro que uma aplicação de R$ 200 milhões havia sido aprovada no Amapá.
As conversas também revelam registros de pagamentos milionários associados à intermediação dos investimentos. Em julho de 2024, executivos do Master discutiram uma comissão de R$ 8,9 milhões atribuída a uma consultoria envolvida na operação da Amprev. Posteriormente, Vorcaro autorizou o pagamento de uma nota de R$ 8 milhões.
Em 1º de agosto daquele ano, a tesouraria do banco registrou um pagamento de R$ 11 milhões identificado como comissão relacionada ao Amapá. Na ocasião, segundo o UOL, a previdência estadual já havia transferido R$ 300 milhões à instituição financeira.
União Brasil e influência política no estado
A presença da direção nacional do União Brasil nas mensagens ganha relevância no Amapá porque o partido concentra lideranças importantes da política estadual.
Davi Alcolumbre, presidente do Senado, é uma das principais lideranças nacionais da sigla e exerce forte influência sobre sua estrutura no Amapá. Clécio Luís, por sua vez, deixou o Solidariedade e ingressou no União Brasil em janeiro de 2026, em um ato político que contou com o apoio de Alcolumbre.
Embora as mensagens divulgadas não comprovem participação direta de Alcolumbre ou Clécio nas negociações conduzidas pela direção nacional do partido, o envolvimento atribuído a Rueda e ACM Neto amplia a repercussão política do caso no estado.
A ligação entre o grupo político de Alcolumbre e a gestão da Amprev também volta ao debate. Conforme o UOL, Jocildo Silva Lemos presidia o comitê que aprovou a aplicação de R$ 400 milhões no Banco Master e havia sido indicado ao cargo pelo senador.
As novas informações levantam questionamentos sobre a influência política nas operações de captação de recursos previdenciários e sobre os critérios utilizados para autorizar investimentos de grande porte.
Vorcaro citou comissões de 10% para dirigentes do partido
Em uma proposta de delação premiada posteriormente rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Daniel Vorcaro afirmou que Antônio Rueda e ACM Neto teriam atuado para facilitar investimentos previdenciários no Master em troca de comissões equivalentes a 10% dos valores captados.
O UOL também revelou que o banco realizou pagamentos de R$ 6,4 milhões a escritórios de advocacia ligados a Rueda e R$ 5,4 milhões a uma consultoria de ACM Neto.
As mensagens, entretanto, não demonstram pagamento direto das supostas comissões aos dois dirigentes.
Com base nos elementos reunidos, a Polícia Federal solicitou buscas e apreensões em endereços associados aos políticos, mas as medidas não foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Investigações alcançaram outros estados
As operações envolvendo fundos de previdência do Amapá, Amazonas e Rio de Janeiro são investigadas em desdobramentos da Operação Compliance Zero.
No Rio de Janeiro, o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso pela Polícia Federal em fevereiro de 2026. Segundo as investigações citadas pelo UOL, ele teria sido indicado ao cargo por Antônio Rueda, em articulação com o então governador Cláudio Castro.
O Rioprevidência destinou aproximadamente R$ 2 bilhões ao Banco Master.
No Amapá, as revelações reforçam os questionamentos sobre os R$ 400 milhões aplicados pela Amprev, mas a reportagem não apresenta informação sobre pedido de prisão ou ordem judicial de prisão contra Jocildo Lemos.
Dirigentes negam irregularidades
Procurado pelo UOL, Antônio Rueda negou irregularidades e afirmou que sua relação com o Banco Master era profissional. Segundo ele, os serviços advocatícios foram efetivamente prestados, com emissão de notas fiscais e recolhimento de impostos.
ACM Neto também contestou as acusações, classificando os vazamentos como seletivos e fora de contexto. O dirigente afirmou que os valores recebidos decorreram de serviços de consultoria devidamente contratados e negou qualquer interferência para que institutos previdenciários, incluindo a Amprev, aplicassem recursos no banco.
As revelações mantêm o caso Banco Master no centro do debate político do Amapá, agora com novas informações que envolvem diretamente a direção nacional do partido de Alcolumbre e Clécio. A investigação busca esclarecer a atuação dos intermediários, o destino das comissões e as circunstâncias das aplicações realizadas com recursos destinados à aposentadoria dos servidores públicos.
Com informações do UOL, em reportagem publicada em 16 de outubro de 2026.



