Economia

Cesta básica volta a subir em Macapá, ultrapassa R$ 720 e acumula alta de 10,58% em 2026

Pesquisa da Conab e do DIEESE aponta aumento de 2,47% em setembro; leite e carne bovina lideram altas, enquanto alimentação já compromete quase metade do salário mínimo líquido

O custo da cesta básica voltou a subir em Macapá e chegou a R$ 720,01 em setembro de 2026, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). O aumento foi de 2,47% em relação a agosto, quando o conjunto de alimentos essenciais custava R$ 702,68.

Com o novo reajuste, a cesta básica na capital amapaense acumula alta de 10,58% nos primeiros nove meses do ano. Na comparação com setembro de 2025, o encarecimento chega a 7,03%, evidenciando a pressão dos preços dos alimentos sobre o orçamento das famílias.

O levantamento, divulgado em 9 de outubro, revela que o aumento dos preços atingiu produtos importantes na alimentação dos macapaenses. O leite integral registrou a maior elevação mensal, de 12,10%, seguido pela carne bovina de primeira, com alta de 7,52%, e pela manteiga, que ficou 5,78% mais cara.

Também apresentaram aumentos o pão francês (1,37%) e o feijão carioca (0,76%).

Alimentação compromete quase metade do salário mínimo

O peso da alimentação no orçamento dos trabalhadores é outro dado preocupante da pesquisa. Em setembro, uma pessoa que recebe o salário mínimo nacional de R$ 1.621 precisou comprometer 48,02% da remuneração líquida apenas para adquirir os alimentos que compõem a cesta básica.

Na prática, isso significa que quase metade do salário disponível, após o desconto previdenciário considerado pelo DIEESE, foi destinada exclusivamente à compra de alimentos essenciais, sem incluir despesas com moradia, energia elétrica, água, transporte, saúde e outras necessidades familiares.

O levantamento aponta ainda que o trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisou dedicar 97 horas e 43 minutos de trabalho para conseguir comprar a cesta básica em Macapá.

Feijão acumula aumento superior a 60% em um ano

Embora o leite e a carne bovina tenham liderado as altas de setembro, o feijão carioca continua entre os alimentos que mais pesam no bolso dos consumidores da capital.

Segundo o DIEESE, o produto acumula valorização de 61,28% nos últimos 12 meses, percentual que evidencia o encarecimento de um dos principais componentes da alimentação brasileira.

Outro destaque é a farinha de mandioca, alimento tradicional na mesa dos amapaenses, que apresentou aumento acumulado de 15,81% no mesmo período.

Os números demonstram que a elevação dos preços não está restrita a um único produto, atingindo alimentos de consumo frequente e reduzindo a capacidade de compra das famílias, especialmente daquelas que dependem de rendimentos próximos ao salário mínimo.

Alta interrompe queda registrada em agosto

O resultado de setembro também representa uma mudança em relação ao mês anterior. Em agosto, Macapá havia registrado redução de 1,49% no custo da cesta básica, acompanhando o movimento de queda observado na maioria das capitais brasileiras.

Entretanto, a nova elevação fez o valor da cesta ultrapassar a marca de R$ 720 e ampliou o aumento acumulado em 2026.

A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos acompanha mensalmente os preços de produtos essenciais nas 27 capitais brasileiras. Os resultados servem como indicador do custo da alimentação e da evolução do poder de compra dos trabalhadores.

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