Davi, Waldez, Randolfe e Clécio acumulam poder em Brasília, mas obras travadas ampliam frustração no Amapá
O Amapá vive um momento político considerado singular na história recente. O estado tem hoje o senador Davi Alcolumbre no comando do Congresso Nacional, o ministro Waldez Góes à frente do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, o senador Randolfe Rodrigues como líder do governo federal no Congresso e o governador Clécio Luís alinhado politicamente a esse mesmo grupo, próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na percepção de parte significativa da população, no entanto, essa concentração de poder político e institucional ainda não se traduziu em soluções concretas para problemas históricos do estado.
É o que aponta um levantamento do instituto “Real Time Big Data”, que identificou um sentimento crescente de frustração diante da distância entre o capital político acumulado pelo grupo e a entrega de obras estruturantes. Segundo o estudo, há uma leitura coletiva de que o Amapá reúne hoje força suficiente para destravar gargalos históricos, mas segue convivendo com promessas antigas e avanços considerados lentos ou insuficientes.
A principal pergunta levantada pelo eleitorado, segundo o diagnóstico, é direta: se o estado ocupa hoje posições estratégicas no centro do poder nacional, por que os resultados concretos não aparecem na mesma proporção?
Entre os exemplos mais simbólicos está a ponte sobre o Rio Jari, projetada para ligar Laranjal do Jari a Monte Dourado, no Pará. Iniciada há mais de duas décadas, a obra consumiu mais de R$ 21 milhões e permanece abandonada, com pilares deteriorados e custo estimado superior a R$ 50 milhões para conclusão.
Outro símbolo histórico da lentidão é a BR-156, considerada a obra pública inacabada mais antiga do país. A rodovia, que conecta Macapá a Oiapoque, começou a ser aberta ainda na década de 1930 e segue com trechos críticos sem pavimentação definitiva.
Em 2024, o governador Clécio Luís esteve na BR-156 ao lado do ministro dos Transportes, Renan Filho, em uma visita ao trecho da rodovia onde foi reafirmada a promessa de asfaltamento completo da estrada. Apesar disso, a obra segue sem conclusão definitiva. Recentemente, trabalhadores denunciaram que fortes chuvas abriram valas e crateras em trechos da via, isolando o acesso ao município de Laranjal do Jari.
O levantamento mostra que essa realidade reforça a percepção de desgaste do grupo político dominante. Para os entrevistados, a presença de lideranças amapaenses em espaços centrais de Brasília deveria significar prioridade nacional para obras estruturantes, investimentos robustos e transformação concreta da infraestrutura estadual.
Em vez disso, cresce a sensação de que o poder institucional acumulado tem gerado mais capital político do que resultados visíveis no cotidiano da população.
O estudo também aponta que o eleitorado vê o bloco formado por Davi, Waldez, Randolfe e Clécio como uma engrenagem política unificada, associada diretamente ao Palácio do Planalto. Essa proximidade, se por um lado demonstra influência, por outro amplia a cobrança popular por entregas proporcionais ao espaço ocupado na República.
No diagnóstico, essa contradição aparece como um dos principais fatores de desgaste: o Amapá vive seu momento de maior relevância institucional em Brasília, mas continua sem conseguir superar entraves estruturais básicos que atravessam gerações.



