Em meio a denúncias de perseguição política, Câmara de Macapá cassa mandato de Luana Serrão

Decisão por excesso de faltas ocorre após denúncias de pressão e intimidação envolvendo Pedro DaLua e às vésperas da eleição para a presidência do Legislativo
A Mesa Diretora da Câmara Municipal de Macapá decidiu cassar o mandato da vereadora Luana Serrão (União Brasil) por excesso de faltas às sessões ordinárias. A decisão ocorre em meio a uma disputa política dentro do Legislativo municipal e após denúncias de supostas ameaças, intimidação e pressão política envolvendo o vereador Pedro DaLua, colega de partido da parlamentar e ex-presidente da Casa.
Conforme a decisão administrativa, Luana acumulou 25 ausências em 73 reuniões ordinárias realizadas durante o ano de 2025, o equivalente a 34,25% das sessões. O percentual ultrapassa o limite de um terço estabelecido pelo artigo 177 da Lei Orgânica do Município, que prevê a perda do mandato nessas circunstâncias, ressalvadas as ausências autorizadas.
O processo teve origem em uma representação apresentada por Lucélia Quaresma, suplente de vereadora do União Brasil. A Câmara requisitou os registros oficiais de frequência, notificou Luana e recebeu sua defesa antes da deliberação da Mesa Diretora.
Denúncias de perseguição política
A cassação ocorre após um histórico de desentendimentos entre Luana Serrão e Pedro DaLua. Em 2025, a vereadora denunciou supostas tentativas de intimidação e pressão política por parte do então presidente da Câmara, apresentando gravações de conversas que, segundo ela, comprovariam as acusações.
O caso ganhou repercussão nacional em maio deste ano, quando o portal O Bastidor publicou reportagem sobre áudios e mensagens atribuídos a DaLua. Segundo a publicação, o parlamentar teria utilizado sua proximidade com o senador Davi Alcolumbre e o então governador Clécio Luís para tentar influenciar politicamente a vereadora.
Luana também apresentou representação ao Ministério Público do Amapá relatando os episódios. As denúncias incluem alegações de constrangimento, pressão política e tratamento misógino.
Pedro DaLua, por sua vez, contestou as acusações. Em manifestações anteriores, afirmou que as gravações teriam sido editadas e utilizadas para constrangê-lo, chegando a registrar boletim de ocorrência contra a parlamentar.
Nos bastidores da Câmara, a cassação de Luana é apontada como mais um capítulo do confronto político entre os dois.
Decisão às vésperas da eleição da Câmara
Outro fator que amplia a repercussão do caso é a proximidade da eleição para a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Macapá, marcada para esta sexta-feira (9), quando os vereadores escolherão os dirigentes da Casa para o biênio 2027-2028.
Informações de bastidores apontam o vereador Marcelo Dias como um dos nomes com possibilidade de conquistar a presidência. Pedro DaLua também articula sua participação na disputa e chegou a se afastar temporariamente da Prefeitura de Macapá para acompanhar o processo eleitoral.
A cassação de Luana, anunciada nesse cenário de acirramento político, acrescenta um novo elemento às articulações pela composição da próxima Mesa Diretora, já que Luana estaria entre os apoiadores da chapa de Marcelo Dias.
Vaga deverá ser ocupada por suplente
Com a declaração de perda do mandato, a cadeira de Luana Serrão deverá ser preenchida por um suplente do União Brasil, observada a ordem estabelecida nas eleições municipais de 2024.
O primeiro suplente é Josiel Alcolumbre, que recebeu 2.561 votos, mas já havia recusado assumir temporariamente uma vaga na Câmara. O segundo, Reginaldo Rodrigues, conhecido como Faraó, com 2.413 votos, assumiu a cadeira de Pedro DaLua após a ida deste para a Prefeitura.
Caso a atual configuração seja mantida, Michel da Sanauto, terceiro suplente do partido, com 2.216 votos, aparece como próximo nome na lista de convocação.
Luana Serrão foi eleita em 2024 com 3.360 votos. A decisão da Mesa Diretora poderá ser questionada judicialmente pela parlamentar.



