Macapá guarda na memória o dia em que a lenda Oscar Schmidt brilhou na cidade
A morte de Oscar Schmidt, nesta sexta-feira (17), provocou uma onda de comoção no Brasil e no mundo. Ícone absoluto do basquete, dono de uma trajetória histórica e números quase inalcançáveis, o “Mão Santa” deixa não apenas títulos e recordes, mas histórias marcantes por onde passou, inclusive em Macapá.
Pouca gente sabe, mas a capital amapaense teve o privilégio de receber Oscar em um jogo festivo, no ano de 1998,, que até hoje vive na memória de quem acompanhou. O responsável por transformar esse sonho em realidade foi o ex-jogador Mário Cuia, que relembra com emoção os bastidores desse momento único.
“Era um sonho meu ver ele jogando. Sempre foi meu ídolo”, conta Cuia.
Na época, ele liderava projetos esportivos locais e montava equipes competitivas para disputar a tradicional Copa Norte, que chegou a colocar o basquete como o principal esporte do estado. Com articulação, parcerias e credibilidade, Cuia conseguiu apoio para trazer grandes nomes ao Amapá. Entre eles, Oscar.
A negociação começou por meio da amizade com o ex-jogador Rolando Ferreira, outro nome importante do basquete brasileiro, que está marcado na história do esporte como o primeiro brasileiro a jogar na NBA, a liga de basquete dos Estados Unidos. Foi ele quem fez a ponte até Oscar. Com apoio do então governador João Roberto Capiberibe, o projeto saiu do papel.
E deu certo.
Oscar, Rolando e suas famílias passaram cerca de quatro dias em Macapá. Durante a visita, conheceram pontos turísticos, como a Fortaleza de São José de Macapá, e participaram de jogos de exibição que mobilizaram o cenário esportivo local. Em quadra, o ídolo vestiu a camisa do Esporte Clube Macapá em uma partida festiva contra o Paysandu.

Para Cuia, mais do que um evento esportivo, aquilo foi a realização de uma vida dedicada ao basquete. Oscar apresentou toda beleza do seu basquetebol ao lado de jovens jogadores macapaenses que ainda estavam começando suas histórias no esporte.
“Foi uma das maiores vitórias que eu tive no esporte. Conseguir trazer o Oscar e o Rolando pra cá. Isso não tem preço”, relembra.
Ele também destaca a simplicidade e o carisma do ídolo, que conquistou não só pela genialidade dentro de quadra, mas pela forma como tratava as pessoas fora dela. Em seu acervo de fotos, cuia tem registros de sua família em momentos descontraídos e felizes ao lado do Mão Santa.
A despedida agora é carregada de tristeza. Cuia fala com pesar sobre a perda e lembra da luta de Oscar contra o câncer, uma realidade que também marcou sua própria família.
“O Brasil todo sente. O mundo todo sente. Ele não era só um ídolo nosso, era do mundo. Um cara que construiu uma história muito bonita”, diz.
Durante muito tempo detendo o título de maior pontuador da história do basquete mundial, Oscar Schmidt deixa um legado que dificilmente será superado, dentro e fora das quadras.
Em Macapá, fica a lembrança de um encontro raro: o dia em que uma lenda esteve perto, acessível, humana. E eterna



