Política

Mulheres ganham força na corrida pelo Senado em todo o país, e Rayssa lidera movimento no Amapá

Pesquisas mostram candidatas competitivas em pelo menos 15 estados; líder dos levantamentos no Amapá, médica pode se tornar a primeira mulher eleita diretamente para representar o estado no Senado

As eleições deste domingo, 4 de outubro, podem alterar a participação feminina no Senado Federal. Levantamento a partir das pesquisas eleitorais divulgadas na reta final da campanha mostra mulheres ocupando as primeiras posições ou disputando diretamente uma das duas vagas ao Senado em pelo menos 15 estados e no Distrito Federal. Entre elas está Rayssa Furlan (Podemos), que chega aos últimos dias da campanha liderando as pesquisas no Amapá.

A eleição de 2026 renova dois terços do Senado. Serão preenchidas 54 das 81 cadeiras, duas por estado e pelo Distrito Federal. Neste ano, 69 mulheres registraram candidatura ao cargo, o equivalente a 22% dos concorrentes. Pela primeira vez, considerando as eleições desde 2014, todos os estados brasileiros têm pelo menos uma mulher disputando o Senado.

Nas pesquisas recentes, candidatas aparecem em posições competitivas em estados como Amapá, Alagoas, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, além do Distrito Federal. Como cada eleitor pode escolher dois candidatos ao Senado neste ano, estar entre os dois primeiros colocados representa estar, naquele momento da pesquisa, dentro do grupo que disputa diretamente as vagas.

No Amapá, Rayssa Furlan aparece na primeira colocação nos levantamentos mais recentes. Pesquisa Paraná divulgada em 28 de setembro mostrou a candidata do Podemos com 54% das intenções de voto, enquanto Randolfe Rodrigues (PT) tinha 36,7% e Lucas Barreto (PSD), 36,1%. O instituto ouviu mil eleitores entre 25 e 27 de setembro, com margem de erro de 3,2 pontos percentuais.

Dois dias depois, a Real Time Big Data também colocou Rayssa na liderança. No levantamento divulgado em 30 de setembro, ela marcou 30% no consolidado dos dois votos para o Senado. Randolfe Rodrigues e Lucas Barreto apareceram com 20% cada.

Uma eleição que pode ser histórica

Caso seja eleita no domingo, Rayssa Furlan poderá se tornar a primeira mulher eleita diretamente pelo voto popular para representar o Amapá no Senado Federal.

Desde que o Amapá passou à condição de estado e realizou sua primeira eleição para o Senado, em 1990, todas as vagas conquistadas nas urnas ficaram com homens. O levantamento histórico da Agência Senado registra nomes como José Sarney, Henrique Almeida, Sebastião Rocha, Gilvam Borges, João Capiberibe, Papaléo Paes, Randolfe Rodrigues, Davi Alcolumbre e Lucas Barreto entre os eleitos pelo estado ao longo das últimas décadas.

O Amapá, porém, já teve uma mulher exercendo o mandato. Maria Benigna Jucá, suplente de Sebastião Rocha, assumiu uma cadeira no Senado durante o mandato iniciado em 1995. Ela aparece na Galeria das Senadoras da República como representante do Amapá, mas não conquistou a cadeira como titular em uma eleição para o Senado.

Por isso, uma eventual vitória de Rayssa teria um significado inédito na política amapaense: seria a primeira vez que uma candidata seria escolhida diretamente pelos eleitores do estado para ocupar uma das três cadeiras do Amapá na Casa Alta do Congresso Nacional.

Rayssa já chegou perto em 2022

A disputa deste ano é a segunda tentativa de Rayssa Furlan de chegar ao Senado. Médica, com 39 anos, ela concorre pelo Podemos e teve sua primeira experiência eleitoral em 2022. Antes disso, exerceu a função de secretária municipal de Assistência Social de Macapá.

Na eleição de 2022, quando apenas uma cadeira estava em disputa, Rayssa concorreu pelo MDB e recebeu 174.128 votos, terminando em segundo lugar. Davi Alcolumbre (União Brasil), que buscava a reeleição, venceu com 196.087 votos. A diferença entre os dois foi de 21.959 votos.

O desempenho colocou Rayssa muito acima dos demais concorrentes daquela eleição. João Capiberibe, terceiro colocado, recebeu 21.979 votos. A candidata obteve votação nos 16 municípios do Amapá e concentrou sua maior votação em Macapá, onde recebeu mais de 114 mil votos.

Quatro anos depois, ela retorna à disputa em um cenário diferente: em 2026, o Amapá escolherá dois senadores, e Rayssa tem ocupado a primeira posição em diferentes pesquisas realizadas ao longo da campanha. Ainda em março, por exemplo, levantamento Paraná Pesquisas já mostrava a candidata à frente dos demais concorrentes. A liderança voltou a aparecer em pesquisas realizadas em julho, agosto e setembro.

Médica e ex-secretária de Assistência Social

Rayssa Cadena Furlan é médica, nasceu em Brasília e construiu sua trajetória pública no Amapá. Foi primeira-dama de Macapá durante a gestão de Dr. Furlan e também comandou a Secretaria Municipal de Assistência Social da capital. Segundo os dados cadastrais de sua candidatura, esta é sua segunda eleição.

Sua passagem pela assistência social está diretamente relacionada a algumas das pautas que passou a defender na vida pública. Entre os temas associados à sua atuação estão políticas para mulheres, proteção social, primeira infância, atenção às famílias em situação de vulnerabilidade e inclusão de pessoas com deficiência e pessoas com Transtorno do Espectro Autista.

Uma das áreas às quais Rayssa vinculou sua atuação nos últimos anos é a atenção às chamadas famílias atípicas. Ela participou da construção e divulgação de iniciativas municipais destinadas a crianças com autismo e seus familiares. Entre elas está a Clínica-Escola Coração Azul, inaugurada em 2022 em Macapá para oferecer atendimento educacional e multiprofissional a pessoas com Transtorno do Espectro Autista. A participação de Rayssa nessas políticas também é relacionada publicamente à sua experiência pessoal como mãe atípica.

Na campanha ao Senado, a candidata também tem associado sua atuação a pautas de saúde, assistência social e ampliação da participação feminina nos espaços de decisão, apresentando sua experiência como médica e ex-gestora municipal como parte de sua trajetória política.

Mulheres tentam ganhar mais espaço no Senado

O cenário envolvendo Rayssa faz parte de um movimento nacional mais amplo. Embora continuem sendo minoria entre os candidatos, as mulheres aumentaram numericamente sua participação na disputa pelo Senado em 2026. São 69 candidatas, contra 58 em 2022 e 62 em 2018.

Entre os nomes que aparecem nas primeiras posições ou próximos às duas vagas em pesquisas recentes estão candidatas como Michelle Bolsonaro, no Distrito Federal; Gracinha Caiado, em Goiás; Roseana Sarney, no Maranhão; Marília Campos, em Minas Gerais; Janaína Riva, em Mato Grosso; Marília Arraes, em Pernambuco; Benedita da Silva, no Rio de Janeiro; Zenaide Maia, no Rio Grande do Norte; Sílvia Cristina, em Rondônia; Teresa Surita e Helena da Asatur, em Roraima; Carol de Toni, em Santa Catarina; e Marina Silva e Simone Tebet, em São Paulo.

As situações são diferentes de estado para estado. Algumas lideram numericamente, enquanto outras aparecem em empate técnico ou disputando a segunda cadeira dentro da margem de erro. As pesquisas, portanto, não determinam o resultado eleitoral, mas mostram que mulheres chegam à reta final competitivas em diferentes regiões do país.

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