Política

CPMI do Banco Master: gestão Clécio entra em estado de alerta e aliados evitam assinar pedido de investigação

A possível instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar fraudes atribuídas ao Banco Master colocou o Governo do Amapá em estado de alerta. O caso ganhou forte repercussão nacional e tem impacto direto no estado, que investiu cerca de R$ 400 milhões da previdência estadual no banco, por meio da AMPREV, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias de servidores públicos.

O requerimento de abertura da CPMI está sendo articulado pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) e, segundo assessores, já reúne o número mínimo de assinaturas para ser protocolado: 232 parlamentares, sendo 198 deputados federais e 34 senadores. No entanto, a instalação da comissão não é automática. A CPMI só passa a existir após a leitura do requerimento em sessão do Congresso Nacional, ato que depende diretamente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Deputados federais do estado aliados da gestão Clécio, como Josenildo, Cristiano Furlan, Professora Marcivânia, Fátima Pelaes, Dorinaldo Malafaia e André Abdon não assinaram a CPI.

No Senado, apenas Lucas Barreto assinou o requerimento. Já Randolfe Rodrigues e o próprio Davi Alcolumbre não constam entre os signatários. A ausência de Alcolumbre ganha peso político adicional, já que cabe a ele dar andamento formal à CPMI com a leitura do pedido.

Fraude bilionária

A investigação mira um esquema de fraude bilionária, estimado em mais de R$ 12,2 bilhões, envolvendo recursos públicos de diversos entes federativos. No caso do Amapá, o impacto é considerado grave porque parte do patrimônio da AMPREV estava aplicada em títulos do Banco Master.

Com a liquidação da instituição financeira, os valores ficam protegidos apenas até o limite do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre R$ 250 mil por CNPJ, montante irrisório diante dos R$ 400 milhões investidos pelo estado. O cenário levanta questionamentos sobre riscos à sustentabilidade da previdência estadual e possíveis reflexos fiscais para o governo Clécio Luís.

Prisão de Vorcaro

A crise se aprofundou após a prisão de Daniel Vorcaro, apontado como figura central no caso. Ele foi detido pela Polícia Federal, acusado de tentar deixar o país, no contexto da Operação Compliance Zero, que investiga crimes como gestão fraudulenta, comercialização de títulos falsos e outras irregularidades que podem ter causado prejuízos milionários a fundos públicos.

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