Política

Suplente de Alcolumbre é indiciado pela PF em investigação sobre suposto esquema de desvios no Dnit do Amapá

O empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre, foi indiciado pela Polícia Federal (PF) em investigação que apura suspeitas de fraudes em licitações e desvios de recursos em contratos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Amapá. A informação foi revelada pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (22).

De acordo com a investigação, Breno Chaves Pinto é apontado como integrante de um suposto núcleo responsável por atuar no direcionamento de contratos públicos ligados a obras rodoviárias no estado. O relatório final da PF foi encaminhado à 4ª Vara Federal de Macapá.

O empresário foi indiciado pelos crimes de associação criminosa, tráfico de influência e corrupção ativa. Já o atual superintendente regional do Dnit no Amapá, Marcello Linhares, também foi indiciado por associação criminosa, violação de sigilo funcional e fraude à licitação.

Segundo a PF, mensagens interceptadas mostram conversas entre Breno e Marcello Linhares envolvendo contratos, obras e pedidos de liberação de recursos federais. Em um dos trechos citados pela investigação, Linhares teria solicitado que Breno pressionasse o governo federal por empenhos orçamentários junto ao senador Davi Alcolumbre.

Em nota enviada ao jornal, Alcolumbre afirmou que não possui qualquer relação com a atuação empresarial do suplente e negou interferência em contratos ou decisões administrativas do Dnit.

“Davi Alcolumbre responde apenas pelos próprios atos, não tendo responsabilidade por alegações, conversas privadas, condutas atribuídas a terceiros ou supostas referências a seu nome”, diz trecho da nota.

Saques milionários

Um dos episódios citados pela PF ocorreu em novembro de 2024, quando Breno Chaves Pinto foi monitorado saindo de uma agência bancária após sacar R$ 350 mil em espécie. Segundo os investigadores, ele entrou em seguida em um veículo ligado a familiares do presidente do Senado.

A investigação aponta que os saques em dinheiro ocorreram pouco tempo após o recebimento de recursos provenientes de contratos públicos. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações consideradas atípicas.

Conforme a apuração, os saques realizados por Breno ultrapassariam R$ 3 milhões em diferentes agências bancárias do Amapá, levantando suspeitas de lavagem de dinheiro.

A defesa do empresário sustenta que os valores eram destinados ao pagamento de funcionários e prestadores de serviços da empresa.

Obras da BR-156

Auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) apontaram indícios de irregularidades em contratos relacionados às obras da BR-156, principal rodovia do Amapá, que liga Laranjal do Jari ao município de Oiapoque.

Os contratos investigados somam R$ 60,2 milhões. A CGU identificou lentidão na execução das obras e possíveis desvios de recursos públicos.

A PF também investiga suposto superfaturamento e favorecimento de empresas em licitações realizadas pelo Dnit no estado.

Empresário já havia sido alvo da PF

Breno Chaves Pinto já havia sido alvo de outra operação da Polícia Federal em dezembro de 2022. Na ocasião, agentes apreenderam cerca de R$ 800 mil em dinheiro vivo na sede da empresa dele durante investigação sobre suspeitas de superfaturamento em obras rodoviárias no Amapá.

Na época, a defesa do empresário negou irregularidades e afirmou que a Justiça autorizou a devolução dos bens apreendidos.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo