Economia

Banco Master: como o escândalo chegou ao Amapá e colocou Amprev, Clécio Luís e Davi Alcolumbre no centro das investigações

O escândalo envolvendo o Banco Master, uma das maiores crises financeiras recentes do país, ganhou forte repercussão no Amapá após a revelação de que a Amapá Previdência (Amprev) aplicou cerca de R$ 400 milhões em títulos emitidos pela instituição financeira. O caso culminou em uma operação da Polícia Federal e passou a envolver personagens centrais da política amapaense, como o governador Clécio Luís e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

A investigação busca esclarecer se houve irregularidades na aprovação e execução dos investimentos realizados com recursos do regime previdenciário dos servidores estaduais.

O início das aplicações

Em julho de 2024, a Amprev aprovou uma série de aplicações em Letras Financeiras do Banco Master. As operações foram autorizadas em reuniões extraordinárias do comitê de investimentos da autarquia e, em menos de 20 dias, somaram aproximadamente R$ 400 milhões. Posteriormente, documentos obtidos por veículos de imprensa apontaram que havia alertas técnicos sobre os riscos da operação.

Na época, o Banco Master já enfrentava questionamentos do mercado financeiro sobre sua estratégia de captação e exposição a ativos de maior risco. Ainda assim, os investimentos foram aprovados pela direção da Amprev.

A ligação com o governo do Amapá

A Amprev é uma autarquia vinculada ao Governo do Estado e responsável pela gestão da previdência dos servidores públicos estaduais.

As aplicações ocorreram durante a gestão do governador Clécio Luís. Embora não exista, até o momento, qualquer investigação da Polícia Federal direcionada ao governador, o investimento foi realizado por uma autarquia subordinada administrativamente ao governo estadual.

Após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025, aumentou a preocupação sobre a segurança dos recursos investidos por fundos de previdência em todo o país, incluindo o Amapá.

Operação Zona Cinzenta

Em fevereiro de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Zona Cinzenta para investigar a aplicação dos R$ 400 milhões da Amprev no Banco Master.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Macapá, tendo como principais alvos o presidente da Amprev, Jocildo Silva Lemos, e integrantes do comitê de investimentos da autarquia. Os investigadores apuram possíveis crimes de gestão temerária e gestão fraudulenta.

Segundo a PF, o objetivo é verificar quais critérios foram utilizados para aprovar investimentos considerados de elevado risco para um fundo previdenciário responsável por milhares de aposentados e pensionistas.

O elo com Davi Alcolumbre

O nome do senador Davi Alcolumbre passou a aparecer nas reportagens sobre o caso em razão da relação política com o presidente da Amprev.

Jocildo Silva Lemos foi indicado para a presidência da autarquia em 2023 e chegou a declarar publicamente que recebeu o convite para assumir o cargo por intermédio do senador. Reportagens também apontam que ele atuou como tesoureiro da campanha eleitoral de Alcolumbre em 2022.

Entre as alegações mencionadas pela publicação está uma suposta acusação envolvendo Davi Alcolumbre. Até o momento, trata-se apenas de uma informação atribuída à proposta de colaboração citada pela revista, sem confirmação judicial ou apresentação pública de provas. Não há denúncia formal nem condenação relacionada a essa acusação.

O que está em jogo

A Amprev administra recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais. Segundo dados divulgados pelo próprio governo, os R$ 400 milhões investidos no Banco Master representavam cerca de 4,7% do patrimônio do fundo previdenciário amapaense.

Até o momento, entretanto, a investigação da Operação Zona Cinzenta tem como foco os gestores responsáveis pela decisão de investimento, e não há acusação formal da Polícia Federal contra o senador relacionada às aplicações da Amprev no Banco Master.

Novos desdobramentos

O caso ganhou novos contornos nesta semana após reportagem da revista VEJA informar que o banqueiro Daniel Vorcaro estaria disposto a colaborar com investigações e apresentar informações envolvendo autoridades de alto escalão da República.

A principal questão investigada pela Polícia Federal é se os responsáveis pela gestão da previdência estadual seguiram critérios técnicos adequados ao autorizar aplicações de alto risco com recursos públicos destinados à aposentadoria dos servidores. A resposta a essa pergunta poderá definir o alcance político e jurídico de um caso que já se tornou um dos maiores escândalos financeiros com repercussão no Amapá.

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