Falta de merenda leva escolas municipais a reduzirem horário de aulas em Macapá
Pais e responsáveis de alunos da rede municipal de ensino de Macapá denunciaram que diversas escolas estão liberando estudantes mais cedo por falta de merenda escolar. A responsabilidade pela gestão da alimentação escolar é da Prefeitura de Macapá, atualmente sob comando do prefeito interino Pedro DaLua.
Comunicados que circulam em grupos de WhatsApp informam que, temporariamente, os alunos estão saindo às 10h no turno da manhã e às 16h no turno da tarde.
Entre as unidades citadas nos avisos estão a EMEF Hildemar Maia e a EMEF José Duarte de Azevedo, cujas gestões confirmaram a adoção do horário reduzido em comunicados enviados a pais e responsáveis. Também há relatos envolvendo a Escola Municipal Meu Pé de Laranja Lima, onde a situação já se arrasta há semanas.
Os avisos indicam que a medida foi adotada devido ao desabastecimento de alimentos. Em um dos comunicados, a direção informa que o horário reduzido seguirá “até o abastecimento da merenda escolar ser normalizado”. Em outro, a justificativa é apresentada como necessária para garantir as condições mínimas de ensino-aprendizagem.
Além dos informes oficiais, mensagens compartilhadas entre pais e professores reforçam a situação. Em um dos textos, a direção de uma unidade afirma que o horário reduzido será aplicado ao longo da semana por “falta de fornecimento do lanche para as crianças”.
A situação também foi confirmada por familiares de alunos. Sandro Campos, avô de uma estudante da Escola Meu Pé de Laranja Lima, relatou os impactos da medida na rotina das famílias e nas condições enfrentadas pelos alunos.

“Hoje, pela terceira semana, os alunos estão saindo às 10 horas. O normal é entrarem às 7h30 e saírem às 11h30, mas agora estão saindo mais cedo. Isso causa um incômodo muito grande, porque muitas vezes precisamos sair do trabalho para buscar as crianças na escola. Não tem merenda. Essa situação está acontecendo por falta de merenda.”
Sandro também denunciou outros problemas enfrentados pelos estudantes. “Tem salas que não têm ar-condicionado, e as crianças estão estudando no calor. Na gestão passada tinha merenda, e agora não tem. Não sei se é o secretário ou a Secretaria de Educação, mas o prefeito interino precisa dar mais atenção. A educação no município está um caos.”
Uma fonte ouvida pela reportagem, que preferiu não se identificar, relatou que o problema estaria ligado ao desabastecimento nos depósitos da Secretaria Municipal de Educação (Semed). “Os caminhões estão todos parados, sem fazer entregas. E estamos também com os nossos pagamentos atrasados. Sem expectativa de quando receber. Não tem merenda no depósito para entregar nas escolas.”



