Economia

PF aponta que Amprev ignorou alertas e rejeitou bancos consolidados para aplicar R$ 400 milhões no Banco Master

A Polícia Federal identificou indícios de que o Instituto de Previdência do Amapá (Amprev) rejeitou propostas de bancos considerados de primeira linha e direcionou cerca de R$ 400 milhões ao Banco Master, mesmo diante de alertas técnicos e sinais de alto risco. As informações constam em documentos da investigação revelados em reportagem da jornalista Camila Bomfim, da GloboNews, com base em apuração da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.

De acordo com a PF, os aportes foram realizados em um intervalo inferior a 20 dias e fazem parte de uma dinâmica considerada “estruturada e sequencial”, na qual cada dirigente investigado teria exercido função específica para viabilizar as operações. O relatório aponta que análises de risco e advertências do mercado foram deliberadamente ignoradas.

A investigação indica que o conselheiro da Amprev José Milton Afonso Gonçalves teria sido o principal articulador das operações no âmbito do Comitê de Investimentos. Segundo a PF, ele omitiu comparativos de risco de crédito e rejeitou ofertas de instituições como Santander, BTG Pactual e Safra, sob o argumento de que o Banco Master oferecia maior rentabilidade.

O então presidente da Amprev, Jocildo Silva Lemos, também é citado no inquérito. Para a Polícia Federal, ele atuou como o “garante institucional” das aplicações, utilizando sua posição hierárquica para neutralizar resistências internas da área técnica. Jocildo foi alvo de mandados de busca e apreensão e pediu exoneração do cargo nesta quarta-feira, em meio ao avanço das investigações.

Ainda segundo a PF, Jocildo tinha conhecimento de que a Caixa Econômica Federal havia recusado a aquisição dos mesmos ativos do Banco Master por considerá-los de alto risco, mas decidiu prosseguir com os aportes. A investigação aponta que uma suposta visita técnica ao banco, realizada antes do terceiro aporte, teria servido apenas para dar aparência de legalidade às operações, sem auditoria efetiva.

O caso tramita na 4ª Vara da Justiça Federal no Amapá. Para o juiz Jucélio Fleury Neto, os fatos apurados indicam possível gestão temerária de recursos previdenciários, com prejuízo ao erário e ao interesse do Estado.

Jocildo Lemos afirmou que foi indicado ao cargo pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado. Em nota, Alcolumbre declarou que espera que o caso seja devidamente investigado e esclarecido, com transparência e respeito ao devido processo legal, e ressaltou que não é investigado.

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