Meio Ambiente

Mulheres indígenas e extrativistas trocam saberes sobre óleos amazônicos e biocosméticos no Amapá

Entre os dias 4 e 7 de maio, mulheres da Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão (AMIM), do Oiapoque, participaram de um intercâmbio no Alto Araguari, em Porto Grande (AP), para conhecer experiências de produção e comercialização de óleos amazônicos e biocosméticos desenvolvidas pela Associação de Mulheres Extrativistas Sementes do Araguari.

A atividade aconteceu na sede da associação anfitriã, com o objetivo de fortalecer a produção de óleos já realizada nas aldeias e conhecer novas possibilidades de produtos, embalagens e comercialização. Para Arlete Pantoja Leal, presidente da Associação Sementes do Araguari, esse é um momento de trocas. “Quando a gente recebe visitas, a gente não pensa em ensinar as pessoas, mas sim trocar”, afirmou.

Troca de conhecimentos

Durante o encontro, as participantes conheceram a estrutura da miniusina e do laboratório utilizados pela associação do Alto Araguari. Na prática, experimentaram a produção de óleo de pracaxi em prensa fria, técnica diferente da tradicional já utilizada pelas mulheres indígenas. O método reduz a acidez do óleo e amplia as possibilidades para a fabricação de biocosméticos.

“A viagem foi longa, mas estamos aqui para aprender. Nós trabalhamos, na minha comunidade, com óleo de coco, andiroba e tucumã, mas queremos aprender sobre o pracaxi”, relatou Marinalva Tavares, associada da AMIM.

As participantes também acompanharam a produção de sabonetes de copaíba, desde o preparo até o desenforme, embalagem e precificação dos produtos. A troca despertou o interesse da AMIM em fortalecer e adequar a produção de óleos já realizada nas aldeias, além de desenvolver novos produtos derivados da sociobiodiversidade amazônica.

“Desde o momento em que a gente sai do nosso território, a gente aprende. Aqui vocês produzem de forma diferente da nossa, e aqui nosso papel é esse: aprender”, disse Leandra Ramos Oliveira, conselheira fiscal da AMIM.

Conheça as associações

Criada em 2019, a Associação de Mulheres Extrativistas Sementes do Araguari atua com o extrativismo responsável e a produção de biocosméticos artesanais, como sabonetes, pomadas e velas a partir de óleos como andiroba, copaíba e pracaxi da Floresta Estadual do Amapá. Atualmente, as mulheres da associação também demonstram otimismo com as possibilidades de produção de óleo essencial de breu branco.

Já a Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão (AMIM) foi criada em 2006, a partir da articulação com parteiras indígenas do Oiapoque e do registro de seus conhecimentos tradicionais. Atualmente, a associação reúne cerca de 300 mulheres e conta com coordenações regionais que representam diferentes regiões indígenas dos povos Karipuna, Palikur, Galibi Kali’na e Galibi Marworno, no município de Oiapoque. A AMIM atua em diversas frentes que incluem a defesa dos direitos das mulheres indígenas, a participação em eventos nacionais e internacionais e o fortalecimento de atividades socioambientais nas terras indígenas.

Empoderamento feminino

Além da produção e comercialização de óleos amazônicos, o intercâmbio também abriu espaço para conversas sobre os desafios enfrentados pelas mulheres em seus territórios. Temas como contaminação por mercúrio, fortalecimento comunitário, empoderamento feminino e geração de renda sustentável fizeram parte das rodas de conversa.

“As mulheres enfrentam muitas coisas, mas acharam forças e conhecimentos em suas associações”, comentou Jessica dos Santos, coordenadora financeira da AMIM. “Se você entrou no movimento indígena sendo mulher, então você está preparada para tudo. A voz da mulher ecoa longe, ecoa muito alto”, completou.

O intercâmbio foi realizado pela AMIM, com apoio do Instituto Iepé, por meio do Programa Oiapoque e do Programa Gestão da Informação, em parceria com a Associação Sementes do Araguari. A atividade teve financiamento do Floresta+.

Fonte: Maria Silveira, da assessoria de comunicação do Instituto IEPÉ

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